sábado, 24 de abril de 2021

Grandes nomes do cinema que nunca ganharam um Oscar


'Todo ator. todo diretor, todo mundo precisa de um Oscar. Você tem que ter aquela pequena estátua em Hollywood ou então você não é nada.' Foi o que disse certa vez a atriz Rita Hayworth. Uma espécie de consagração da crítica, o Oscar foi e continua sendo uma obsessão para muitos atores (as) e cineastas. Mas o fato é que, embora seja inegável a importância da premiação, sabemos que a Academia nem sempre é justa ou, pelo menos, nem sempre agrada a grande maioria. Abaixo você confere uma lista com astros de grande talento que acabaram nunca sendo agraciados com a estatueta:

* Aqui vou contar apenas o Oscar como atuação e direção.

Peter O'Toole


O ator irlandês detém o record em indicações ao Oscar sem nenhuma vitória. Ao aceitar o Oscar Honorário em 2003, Peter O'Toole ironizou: 'Sempre a dama de honra, nunca a noiva'. Ao todo, foi nomeado oito vezes na categoria principal, pelos filmes: 'Lawrence da Arábia' (Lawrence of Arabia, 1962), 'Becket' (1964), 'O Leão no Inverno' (The Lion in Winter, 1968), 'Adeus, Mr Chips' (Goodbye, Mr. Chips, 1969), 'A Classe Dominante' (The Ruling Class, 1972), 'O Substituto' (The Stunt Man, 1980), 'Um Cara Muito Baratinado' (My Favorite Year, 1982) e 'Venus' (2006).

Greta Garbo


A figura da sueca Greta Garbo emana fascínio e mistério, que perduram até os dias de hoje. Considerada uma das maiores atrizes do cinema, foi indicada por 'Anna Christie' (1930), 'Romance' (1930), 'A Dama das Camélias' (Camille, 1936) e 'Ninotchka' (1939), todas na categoria principal. Foi homenageada com o Oscar Honorário em 1955. A estatueta foi recebida por Nancy Kelly pois, reclusa, Garbo não compareceu à cerimônia. 

Richard Burton


Com uma indicação a menos que seu amigo Peter O'Toole, Richard Burton teve ao todo sete nomeações ao Oscar, pelos longas: 'Eu Te Matarei, Querida' (My Cousin Rachel, 1952), 'O Manto Sagrado' (The Robe, 1953), Becket (1964), 'O Espião Que Veio do Frio' (The Spy Who Came In from the Cold, 1965), 'Quem Tem Medo de Virginia Woolf?' (Who's Afraid of Virginia Woolf?, 1966), 'Ana dos Mil Dias' (Anne of the Thousand Days, 1969) e 'Equus' (1977). Apenas pelo primeiro filme foi indicado na categoria de ator coadjuvante.

Barbara Stawyck


Uma das atrizes mais versáteis do cinema clássico, Barbara Stawyck era capaz de atuar em comédias, dramas e filmes noir, interpretando mulheres sofredoras, golpistas e femme fatales com a mais absoluta maestria. Suas nomeações como Melhor Atriz foram pelos longas 'Stella Dallas' (1937), 'Bola de Fogo' (Ball of Fire, 1941), 'Pacto de Sangue' (Double Indemnity, 1944) e 'Uma vida por um fio' (Sorry, Wrong Number, 1948). Foi premiada com o Oscar Honorário em 1982.

Kirk Douglas


Embora seja considerado um dos maiores atores do cinema, Kirk Douglas teve apenas três indicações durante sua carreira, todas na categoria principal, pelos filmes: 'O Invencível' (Champion, 1949), 'Assim Estava Escrito' (The Bad and the Beautiful, 1952) e 'Sede de Viver' (Lust for Life, 1956). Foi agraciado com o Oscar Honorário em 1996.

Deborah Kerr


Heroína romântica de inúmeros clássicos, a atriz escocesa Deborah Kerr teve 6 indicações ao Oscar de Melhor Atriz, obtendo apenas o Oscar Honorário em 1994. Foi nomeada por 'Meu Filho' (Edward, My Son, 1949), 'A Um Passo da Eternidade' (From Here to Eternity, 1953), 'O Rei e Eu' (The King and I, 1956), 'O Céu É Testemunha' (Heaven Knows, Mr. Allison, 1957), 'Vidas Separadas' (Separate Tables, 1958) e 'Peregrino da Esperança' (The Sundowners, 1960).

Cary Grant


Dotado de grandes doses de charme e carisma, Cary Grant é basicamente a personificação perfeita de um astro de Hollywood da Era de Ouro. Vencedor do Oscar Honorário em 1970, o ator, no entanto, foi indicado apenas duas vezes ao prêmio por sua atuação, pelos longas 'Serenata Prateada' (Penny Serenade, 1941) e 'Apenas Um Coração Solitário' (None But the Lonely Heart, 1944).

Judy Garland


Apesar de sua brilhante carreira e da imensa popularidade de seus filmes, a atriz foi nomeada apenas duas vezes ao Oscar, na categoria principal por 'Nasce Uma Estrela' (A Star Is Born, 1954) e como coadjuvante em 'Julgamento em Nuremberg' (Judgment at Nuremberg, 1961). Foi a vencedora em 1940 do extinto 'Oscar Juvenil', por seu desempenho como atriz infantil. O prêmio foi concedido pela última vez em 1961, para Hayley Mills.

Steve McQueen


Apelidado de 'The King of Cool', Steve McQueen estrelou diversos filmes que se tornaram clássicos e o elevaram ao primeiro escalão dentre os atores de sua época. No entanto, surpreendentemente, ele foi indicado ao Oscar apenas uma  única vez, pelo seu desempenho em 'O Canhoneiro do Yang-Tsé' (The Sand Pebbles, 1966).

Natalie Wood


Atriz desde a infância, Natalie Wood teve a carreira imposta por sua mãe. Ao longo dos anos, desenvolveu seu talento ganhando espaço com papéis adultos e desafiadores, tornando-se um dos grandes nomes de sua época. Foi indicada como coadjuvante por 'Juventude Transviada' (Rebel Without a Cause, 1955) e na categoria principal por 'Clamor do Sexo' (Splendor in the Grass, 1961) e 'O Preço de um Prazer' (Love with the Proper Stranger, 1963).

Montgomery Clift


Um dos rostos mais bonitos do cinema, Montgomery Clift provou também sua competência ao longo da carreira, tendo sido um dos primeiros atores a adotar 'O Método', que consagraria nomes como Marlon Brando e Al Pacino, através da técnica idealizada por Lee Strasberg. Foi nomeado ao Oscar quatro vezes, sendo as três primeiras como protagonista e a última na categoria coadjuvante, respectivamente pelos filmes: Perdidos na Tormenta (The Search, 1948), Um Lugar ao Sol (A Place in the Sun, 1951), A Um Passo da Eternidade (From Here to Eternity, 1953) e O Julgamento de Nuremberg (Judgment at Nuremberg, 1961).

Lauren Bacall


A atriz precisou lidar com o estigma de ser apenas a 'esposa de Humphrey Bogart' no início de sua carreira mas ao longo dos anos mostrou seu talento e versatilidade, conseguindo o respeito dos críticos e a aclamação do público. Entretanto, sua única indicação ao Oscar veio na categoria secundária por seu desempenho em 'O Espelho Tem Duas Faces' (The Mirror Has Two Faces, 1996). Em 2010, foi reconhecida com um Oscar Honorário.

Charlie Chaplin


Bom, a verdade é que Chaplin ganhou ao todo três estatuetas, no entanto, duas foram honorárias - em 1929, como um Oscar especial, e uma em 1972, pelo conjunto de sua obra - além do Oscar de Melhor Canção Original por 'Luzes da Ribalta' (Limelight, 1952), concedido apenas em 1973, já que o longa só havia sido lançado nos EUA no ano anterior. Embora tenha sido um gênio em sua época, atuando e dirigindo, recebeu apenas indicações por 'O Grande Ditador' (The Great Dictator, 1940), como Melhor Ator e como Melhor Roteiro Original, e por 'Monsieur Verdoux' (1947), também como roteirista.

Marlene Dietrich


Um dos maiores ícones do cinema e da moda, Marlene Dietrich foi uma das mais famosas estrelas da década de 1930. Embora ela própria se considerasse muito mais uma personalidade do que uma atriz propriamente dita, seu estilo e sua presença nas telas a tornaram uma lenda. Recebeu uma única nomeação ao longo da carreira, pelo filme 'Marrocos' (Morocco, 1930).

Orson Welles


'Cidadão Kane' (Citizen Kane, 1941) é considerado por muitos o maior filme da história do cinema, elevando seu astro e idealizador, Orson Welles, ao patamar de gênio. A Academia, por sua vez, não deu tanto valor ao longa que, apesar de indicações para Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Diretor para Welles, além de algumas nomeações técnicas, recebeu apenas a estatueta de Melhor Roteiro Original, dividida pelo próprio ator com seu colega Herman J. Mankiewicz. Em 1971, Orson Welles foi reconhecido com um Oscar Honorário. 

Angela Lansbury


Grande dama do teatro e da televisão, Angela Lansbury se mantém ativa também nas telonas. Ao todo, teve três indicações, todas como coadjuvante, pelos filmes 'À Meia Luz' (Gaslight, 1944), 'O Retrato de Dorian Gray' (The Picture of Dorian Gray, 1945) e 'Sob o Domínio do Mal' (The Manchurian Candidate, 1962), sendo agraciada em 2014 com um Oscar Honorário.

William Powell


Embora não seja tão conhecido nos dias de hoje, William Powell foi um dos atores mais respeitados de sua geração, nomeado ao Oscar pelos filmes 'A Ceia dos Acusados' (The Thin Man, 1934), 'Irene, a Teimosa' (My Man Godfrey, 1936) e 'Nossa Vida com Papai (Life with Father, 1947).

Irene Dunne


Assim como Powell, citado acima, Irene Dunne foi uma das grandes estrelas de sua época e que infelizmente é pouco lembrada na atualidade. Foi indicada ao Oscar na categoria principal por 'Cimarron' (1931), 'Os Pecados de Theodora' (Theodora Goes Wild, 1936), 'Cupido é Moleque Teimoso' (The Awful Truth, 1937), 'Duas Vidas' (Love Affair, 1939) e 'A Vida é um Sonho' (I Remember Mama, 1948).

Alfred Hitchcock


Muito embora tenha recebido um Oscar Honorário em 1968 e seu primeiro longa em Hollywood, Rebecca (1940) tenha vencido como Melhor Filme, o cineasta nunca foi premiado como Melhor Diretor. Suas indicações foram por 'Rebecca, a Mulher Inesquecível' (Rebecca, 1940), 'Um Barco e Nove Destinos'(Lifeboat, 1944), 'Quando Fala o Coração' (Spellbound, 1945), 'Janela Indiscreta' (Rear Window, 1954) e 'Psicose' (Psycho, 1960).

Jean Simmons


Unindo talento, beleza e popularidade, Jean Simmons estava sempre presente em algumas das grandes produções do cinema. No entanto, possui apenas duas nomeações, como coadjuvante em 'Hamlet' (1948) e como atriz principal em 'Tempo para Amar, Tempo para Esquecer' (The Happy Ending, 1969).
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quinta-feira, 15 de abril de 2021

5 casas icônicas de atores e atrizes antigos

Certa vez, uma leitora do blog escreveu que as matérias estavam parecendo da Revista Caras, já que em um intervalo pequeno postei fotos das casas de Jayne Mansfield e Sophia Loren. Confesso que achei bem engraçada esta colocação pois, de fato, casas, arquitetura e decoração são assuntos que eu gosto muito e, sempre que possível, tento trazer aqui pro blog combinando com o tema 'cinema clássico'. Hoje, a proposta é listar 5 propriedades que se tornaram icônicas, seja pela fama de seus moradores, seja por acontecimentos trágicos de que foram palco. Confira abaixo essa pequena lista:


Graceland


A propriedade originalmente pertencia a Stephen C. Toof, fundador da S.C. Toof & Co, a mais antiga gráfica comercial de Memphis. Foi nomeada Graceland Farms em homenagem à sua filha Grace, que herdou a fazenda do pai em 1894. Após sua morte, sua sobrinha Ruth Moore, uma socialite local, tornou-se a dona das terras e construiu em 1939 a proeminente mansão em estilo colonial. Elvis Presley, em crescente popularidade, estava a procura de uma casa que remetesse a uma fazenda e que ficasse mais afastada da cidade. Ele comprou Graceland em 19 de março de 1957, pelo valor de $ 102.500. Com 1630.6 m², localizada em 3764 Elvis Presley Blvd, Memphis, Tennessee, tem um total de 23 quartos, incluindo o famoso 'Jungle Room', uma quadra de raquetebol, um jardim de meditação, além do lendário portão de ferro com notas musicais. Com a morte de Elvis, em 1977, a propriedade passou a ser legalmente de sua filha, Lisa Marie Presley. Começou a ser aberta ao público em 7 de junho de 1982, sendo a segunda casa mais visitada dos EUA, com mais de 650.000 visitantes por ano, perdendo apenas para a Casa Branca.


Pickfair


'Entre as celebridades que cintilavam espetacularmente, nenhuma era mais respeitada que a família real, extra-oficial de Hollywood, o rei e a rainha do mundo do cinema, escolhidos pela publicidade, Douglas Fairbanks e Mary Pickford. Um convite para Pickfair, como era conhecida a mansão deles, era universalmente reconhecido como a única indicação legítima de que alguém finalmente alcalçara a aceitação em Hollywood'. O trecho foi extraído do infame livro de Christina Crawford, 'Mamãezinha Querida', e mostra com exatidão a grandiosidade, muito além de seus 18 acres, que a propriedade representava no decorrer da década de 1920. Inicialmente um chalé de caça localizado na 1143 Summit Drive em San Ysidro Canyon em Beverly Hills, foi reformada pelo célebre casal, sendo transformada em uma suntuosa mansão de quatro andares, contendo 25 quartos e com direito a uma quadra de tênis. Além dos grandes nomes do cinema, como Charlie Chaplin e Lillian Gish, algumas das ilustres visitas dos lendários jantares incluíam Amelia Earhart, F. Scott Fitzgerald, Arthur Conan Doyle e Thomas Edison. Após o divórcio de Pickford e Fairbanks, em 1936, a casa ficou em poder da atriz, que lá morou até sua morte em 1979. Durante a década de 80, a propriedade foi vendida para Jerry Buss e depois para a atriz italiana Pia Zadora, em 1988. Para o choque de todos, Zadora optou por demolir a mansão e construir um palácio estilo veneziano no lugar. Diante das críticas, ela se defendeu, alegando que havia cupins e que a estrutura estaria em péssimo estado de conservação. Em 2012, no entanto, ela participou do programa 'Celebrity Ghost Stories' e revelou que o real motivo da demolição era porque a casa era assombrada por uma mulher gargalhando, supostamente uma antiga amante de Fairbanks, e que não poderia lidar com o sobrenatural. Atualmente, apenas algumas áreas, como os portões e a piscina, são originais.

10050 Cielo Drive


A fama da propriedade construída nas montanhas de Santa Mônica veio das páginas policiais, devido a enorme repercussão do brutal assassinato da atriz Sharon Tate pelos membros do culto de Charles Manson, em 1969. A mansão estilo fazenda pertenceu inicialmente à atriz francesa Michèle Morgan, que mandou construí-la em 1942, com a obra sendo concluída dois anos depois. Com o final da Segunda Guerra, Morgan decidiu abandonar Hollywood, onde sua carreira não tinha sido como esperava, e retornar à sua terra natal. A casa, cujo terreno era plano e continha uma residência principal e uma de hóspedes, foi então vendida ao Dr. Hartley Dewey, que chegou a aluga-la para Lillian Gish, durante as filmagens de 'Duelo ao Sol' (Duel in the Sun, 1946). Algum tempo depois, a propriedade foi vendida novamente, desta vez para o empresário artístico Rudolph Altobelli, que por sua vez alugou a casa para diversos atores, incluindo Cary Grant, Henry Fonda e Olivia Hussey. De 1966 até o início de 1969, o imóvel foi ocupado pelo produtor musical Terry Melcher (filho de Doris Day) e sua namorada Candice Bergen. Charles Manson chegou a fazer uma breve visita na casa um ano antes do casal se mudar. Roman Polanski e Sharon Tate se mudaram para a residência em fevereiro de 1969. Apenas alguns meses depois, no dia 9 de agosto deste mesmo ano, os seguidores de Manson invadiram a propriedade e mataram a atriz, grávida de nove meses, e seus amigos Wojciech Frykowski, Abigail Folger, Jay Sebring e Steven Parent. Polanski encontrava-se na Europa, a trabalho. Acredita-se que o alvo real de Manson era Terry Melcher, que havia se negado a contrata-lo como músico. Após o crime, Altobelli se mudou para a casa, onde residiu até 1988. O último residente da mansão original foi Trent Reznor, integrante da banda Nine Inch Nails, que chegou a montar um estúdio no local. A casa foi demolida em 1994, sendo construida uma nova mansão, em estilo mediterrâneo, chamada de Villa Bella.

O Palácio Rosa 


Antes de Jayne Mansfield, a propriedade em estilo mediterrâneo pertencia ao músico Rudy Vallée. Localizada na 10100 Sunset Boulevard, Holmby Hills, Los Angeles, a mansão foi comprada pela loira em 1957, pouco antes de seu casamento com Mickey Hargitay. A atriz, conhecida por sua extravagância, mandou pintar todo o exterior de rosa, cercando com luzes desta mesma cor. O banheiro de sua suíte, forrado com pele também cor de rosa, possuía uma banheira em formato de coração, modelo este que também tinha sua piscina, construída por seu amado, com os dizeres 'I love you Jaynie' no centro. Incrivelmente, ela pagou apenas uma parte da decoração da casa, recebendo gratuitamente a maioria dos móveis e materiais de construção, após escrever para empresas solicitando amostras. Após sua trágica morte, em 1967, a mansão foi vendida, tendo célebres moradores como Ringo Starr, que relatou algumas experiências sobrenaturais, e Engelbert Humperdinck, que a vendeu novamente em 2002. A casa foi demolida neste mesmo ano. (Confira fotos de seu interior aqui)

Edifício Dakota


Localizado no sofisticado Upper West Side, em Manhattan, Nova York, o edifício foi adicionado ao Registro Nacional de Locais Históricos dos EUA. Para muitos o lugar adquiriu uma atmosfera lúgubre, não só por sua arquitetura, como também pelo assassinato de John Lennon, ocorrido no arco do prédio, em 1980, e por ter servido como locação externa para o longa 'O Bebê de Rosemary' (Rosemary's Baby, 1968). Entretanto, a valorização dos imóveis continua em alta, sendo cobiçados por inúmeras figuras conceituadas. Mas se engana quem pensa que basta apenas ter dinheiro sobrando ou ser famoso para morar no Dakota! É preciso também ser aprovado pelo conselho administrativo, que chegou a negar nomes como o do ex-casal Melanie Griffith e Antonio Banderas, além dos músicos Gene Simmons, Billy Joel, Madonna, Cher e Carly Simon. Dentre os muitos artistas que residiram no prédio estão Lauren Bacall, Lillian Gish, Judy Garland, Rudolf Nureyev, Boris Karloff e Jack Palance, dentre vários outros. O edifício foi construído entre outubro de 1880 e outubro de 1884, pela empresa de arquitetura de Henry Janeway Hardenbergh. Originalmente, o Dakota tinha 65 apartamentos com quatro a 20 quartos, não havendo dois apartamentos iguais. Atualmente, após uma reforma, possui 94 apartamentos.
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terça-feira, 30 de março de 2021

O dia em que os amigos roubaram o corpo de John Barrymore para uma última noitada

 

Com gerações de atores, a família Barrymore já era lendária antes mesmo da criação do cinema, estabelecendo grande reconhecimento no teatro. O primeiro clã de Hollywood, os irmãos Lionel, Ethel e John Barrymore não fugiram à tradição dos palcos e se aventuraram nos filmes ainda na era silenciosa. O caçula dentre os três, John tornou-se um renomado intérprete de Shakespeare, atuando em peças como 'Richard III' (1920) e 'Hamlet' (1922). Nas telas, protagonizou 'O Médico e o Monstro' (Dr. Jekyll e Mr. Hyde, 1920), 'Sherlock Holmes' (1922) e 'Don Juan' (1926), recebendo a alcunha de 'O Grande Perfil'. Com a chegada do som, sua carreira continuou sólida, graças ao seu treinamento vocal para o teatro, que despertou interesse dos estúdios. 'Grande Hotel' (Grand Hotel, 1932), 'Jantar às Oito' (Dinner at Eight, 1933) e 'Suprema Conquista' (Twentieth Century, 1934) foram alguns de seus trabalhos mais notórios. 

Sua carreira começou a declinar devido ao uso cada vez mais excessivo de álcool. Após esquecer suas falas e desmaiar nos sets de filmagem, o ator acabou sendo internado em uma clínica especializada para tentar se recuperar. Endividado, voltou a trabalhar em papéis secundários, muitas vezes com a ajuda de cartazes para lhe ajudar com o roteiro. No entanto, o alcoolismo e a vida boêmia continuavam fazendo parte de sua rotina. Enquanto gravava um episódio de seu programa de rádio, Barrymore desmaiou e foi levado ao Hospital Presbiteriano de Hollywood, onde morreu em 29 de maio de 1942, de cirrose hepática e insuficiência renal, complicada por pneumonia.

John Barrymore e Errol Flynn. No longa 'Too Much, Too Soon' (1958), baseado na autobiografia de Diana Barrymore, Flynn interpreta seu amigo de longa data

Durante seus anos de alcoolismo, Barrymore fundou o 'Bundy Drive Boys', um 'clube do Bolinha', precursor do infame 'The Rat Pack'. Faziam parte do grupo nomes como os atores Errol Flynn, Roland Young, Thomas Mitchell e W.C. Fields, o pintor John Decker, o diretor Raoul Walsh, o crítico e poeta Sadakichi Hartmann e o jornalista Gene Fowler. Anthony Quinn, ainda em começo de carreira, era uma espécie de mascote, que tinha o mesmo tipo sanguíneo de Barrymore e Decker e muitas vezes lhes doava sangue quando estes eram hospitalizados. 

Em sua autobiografia 'My Wicked, Wicked Ways' (1959), Errol Flynn conta como Raoul Walsh e alguns amigos conseguiram subornar os funcionários do necrotério e roubar por algumas horas o corpo de Barrymore para pregar-lhe uma peça. Segundo ele, os amigos levaram Barrymore até sua casa e o acomodaram em sua cadeira favorita. Quando o ator chegou em casa e se deparou com a cena, soltou um grito delirante e foi correndo até a varanda, onde foi interceptado pelos amigos, que contaram o que haviam feito. Alguns anos depois, Walsh contou uma versão parecida da história, revelando que contou com a ajuda do mordomo de Flynn para a empreitada. Recentemente, em uma entrevista em 2020, a neta do ator, Drew Barrymore, confirmou a história, revelando que os amigos levaram seu avô para uma última noitada. No entanto, Gene Fowler e seu filho Will afirmaram terem ficado de vigília durante toda a noite, sendo impossível o infame último passeio de Barrymore relatado por Flynn.

Uma das lendas urbanas de Hollywood ou não, o fato é que a história serviu de inspiração para uma das cenas do longa de Blake Edwards 'S.O.B. Nos Bastidores de Hollywood' (S.O.B., 1981). Há quem dia, ainda que sem confirmação, que 'Um Morto Muito Louco' (Weekend at Bernie's, 1989) também foi baseado na aventura de Flynn e companhia. 
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domingo, 21 de março de 2021

Filmes da última década com atores e atrizes clássicos


Vira e mexe estou mudando de canal e me deparo com filmes protagonizados ou com participação dos grandes astros e estrelas do cinema antigo. Por isso, pensei em fazer uma listinha rápida com alguns trabalhos atuais dos nossos queridinhos, para quem quiser assistir e descobrir mais sobre esta fase de suas carreiras:


Claudia Cardinale em 'Todos os Caminhos Levam a Roma' (All Roads Lead to Rome, 2015)


A atriz italiana continua na ativa, aparecendo principalmente em filmes de seu próprio país. Um de seus projetos mais recentes é 'Bronx' (2020), longa produzido pela Netflix, onde interpreta a personagem Catarina Bastiani. Na comédia romântica 'Todos os Caminhos Levam a Roma' (All Roads Lead to Rome, 2015), estrelado por Sarah Jessica Parker, ela vive a matriarca Carmen, uma senhora que foge junto com a filha adolescente da protagonista, para reencontrar um grande amor do passado.

Sophia Loren em 'Rosa e Momo' (La vita davanti, 2020)


Continuando com as musas italianas, Sophia Loren está oficialmente aposentada mas vira e mexe, quando um projeto lhe desperta interesse, acaba voltando às telas. A atriz apareceu mais recentemente no musical 'Nine' (2009) e no longa biográfico 'La mia casa è piena di specchi' (2010), onde interpreta sua mãe, Romilda Villani. Dirigida por seu filho Edoardo Ponti, a veterana volta a brilhar como Madame Rosa, uma mulher sobrevivente do holocausto que acolhe um menino negro que foi pego assaltando. Os dois acabam desenvolvendo uma forte relação de amizade e cumplicidade. O filme está do catálogo de originais da Netflix.

Joan Collins em 'Ainda Há Tempo' (The Time of Their Lives, 2017)


Joan Collins é outra que ainda está na ativa, ainda que em pequenas participações, principalmente em programas para a televisão. Em seu último longa, a atriz protagoniza ao lado de Pauline Collins uma espécie de 'Thelma e Louise' da terceira idade, só que sem a parte dos roubos! rs Joan vive uma ex-estrela de cinema, enquanto Pauline é uma tímida mãe de família em um casamento infeliz. As duas iniciam uma amizade repleta de discussões e partem em uma viagem de carro de Londres para a França, tentando recuperar o tempo perdido, cada uma com seus próprios motivos. O divertido longa também conta com Franco Nero no elenco.

Christopher Plummer em 'Entre Facas e Segredos' (Knives Out, 2019)


Outro longa bem divertido é 'Entre Facas e Segredos' (Knives Out, 2019), penúltimo trabalho do recém falecido Christopher Plummer. Com 217 créditos no IMDB, o ator era quase uma máquina de fazer filmes, aparecendo em média em duas a três produções ao ano. Vencedor do Oscar de Ator Coadjuvante por sua atuação em 'Toda Forma de Amor' (Beginners, 2010), Plummer chegou a substituir Kevin Spacey em 'Todo o Dinheiro do Mundo' (All the Money in the World, 2017), após as várias denúncias que culminaram em sua demissão; Aqui, ele interpreta o patriarca de uma próspera família em uma trama de assassinato e mistério no melhor estilo Agatha Christie. Em sua mansão, o romancista Harlan Thrombey reúne os filhos e netos para comemorar seu aniversário, mas a festa é interrompida de forma trágica quando ele é encontrado morto em seu escritório.


Dick Van Dyke e Angela Lansbury em 'O Retorno de Mary Poppins' (Mary Poppins Returns, 2018)


Estrelado agora por Emily Blunt, no papel que havia sido de Julie Andrews em 1964, 'O Retorno de Mary Poppins' (Mary Poppins Returns, 2018) traz novamente a babá mais famosa do cinema para ajudar a família Banks. A continuação é ambientada algumas décadas após a história mostrada no primeiro longa, com Mary Poppins sendo designada para cuidar dos filhos de Michael. O longa tem participações de Dick Van Dyke, que interpretou Bert na versão anterior, e da atriz Angela Lansburry.

Terence Stamp em 'Mistério no Mediterrâneo' (Murder Mystery, 2019)


Outro longa no estilo Agatha Christie que conta com um astro veterano como patriarca - e vítima de assassinato - é 'Mistério no Mediterrâneo' (Murder Mystery, 2019), comédia policial estrelada por Adam Sandler e Jennifer Aniston. O papel é interpretado por Terence Stamp, outra figurinha fácil em diversos filmes atuais. O longa é centrado em um casal de classe média que acaba sendo convidado para um final de semana a bordo de um luxuoso iate, onde ocorre a festa de um milionário excêntrico e tirano (Stamp) que, para variar, termina em tragédia. Cabe ao atrapalhado casal investigar quem é o criminoso em meio à gananciosa família do morto. 

Jane Fonda e Robert Redford em 'Nossas Noites' (Our Souls at Night, 2017)


Repetindo a parceria de 'Descalços no Parque' (Barefoot in the Park, 1967), 'A Caçada Humana' (The Chase, 1966) e O Cavaleiro Elétrico (The Electric Horseman, 1979), Robert Redford e Jane Fonda voltaram a atuar juntos em 'Nossas Noites' (Our Souls at Night, 2017), drama sobre dois viúvos solitários que decidem fazer companhia um ao outro todas as noites, sem envolvimento sexual. Aos poucos, os dois começam a intensificar a relação, que é fortemente desaprovada pelo filho dela.

Eva Marie Saint em 'Mariette in Ecstasy' (2019)


Eva Marie Saint faz eventuais participações em longas, estando afastada das telas desde 'Um Conto do Destino' (Winter's Tale, 2014). No papel de uma madre, ela retornou ao cinema em 2019, no filme 'Mariette in Ecstasy', baseado na obra homônima escrita por Ron Hansen, sobre uma freira recém ordenada e seus dias em um convento.

Catherine Deneuve 'A Verdade' (La Verité/ The Truth, 2019)


Mais uma da lista que está mais ativa do que nunca é a francesa Catherine Deneuve, com cerca de dois a três trabalhos por ano. No longa 'A Verdade' (La Verité, 2019), ela interpreta uma atriz de sucesso que decide escrever um livro de memórias. Durante o lançamento da obra, sua filha retorna dos Estados Unidos, onde vive, para prestigiar a mãe, mas a mágoa e o péssimo relacionamento entre as duas vem à tona novamente.

Shirley MacLaine em 'A Última Palavra' (The Last Word, 2017)


A sempre maravilhosa Shirley MacLaine protagoniza o longa sobre uma mulher de negócios aposentada que, após saber que não lhe resta muito tempo devido a uma doença, decide escrever seu próprio obituário, contando com a ajuda de uma jovem escritora. Insatisfeita com os resultados, ela decide reescrever sua história e sai em uma aventura; Recentemente, a atriz também apareceu em 'A Pequena Sereia' (The Little Mermaid, 2018) e 'Noelle' (2019).

Bônus:

Julie Andrews em 'Bridgerton' (2020)


Série aclamadíssima da Netflix, baseada nos livros da escritora Julia Quinn, 'Bridgerton' conta com a presença ilustre de Julie Andrews, como a narradora da história, Lady Whistledown, responsável por espalhar as fofocas da elite no período da regência britânica.
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terça-feira, 16 de março de 2021

Os 100 livros favoritos de David Bowie

 

Além de cantor, compositor e ator, David Bowie ainda arrumava tempo para ser um leitor ávido! Um dos maiores nomes do rock, o músico britânico tornou-se famoso, além de sua música, por suas constantes mudanças de visual, ganhando o apelido de 'camaleão'. No campo da leitura, pode-se dizer que Bowie também era bastante versátil, apreciando vários gêneros literários, como pode ser observado na lista divulgada em 2017 pelo filho do cantor, Duncan Jones, que chegou a fazer um desafio com os fãs de seu pai. Confira abaixo os seus 100 livros favoritos:

*A lista já traduzida eu encontrei no site da Tag. Os livros com asterisco não tem edição em português.*

01- Entrevistas com Francis Bacon, de David Sylvester (Encontre aqui)
02- Billy Liar, de Keith Waterhouse (*Encontre aqui)
03- Almas em Leilão, de John Braine (Encontre aqui)
04- On Having No Head, de Douglas Harding (*)
05- Kafka Was The Rage, de Anatole Broyard (*Encontre aqui)
06- Laranja Mecânica, de Anthony Burgess (Encontre aqui)
07- As Cidades da Noite, de John Rechy (Encontre aqui)
08- A Fantástica Vida Breve, de Oscar Wao, de Junot Diaz (Encontre aqui)
09- Madame Bovary, de Gustave Flaubert (Encontre aqui)
10- Ilíada, de Homero (Encontre aqui)
11- Enquanto Agonizo, de William Faulkner (Encontre aqui)
12- Tadanori Yokoo, de Tadanori Yokoo (*)
13- Berlin Alexanderplatz, de Alfred Döblin (Encontre aqui)
14- Dentro da Baleia e Outros Ensaios, de George Orwell (Encontre aqui)
15- Os Destinos do Sr. Norris, de Christopher Isherwood (Encontre aqui)
16- Halls Dictionary Of Subjects And Symbols In Art, de James A. Hall (*Encontre aqui)
17- David Bomberg, de Richard Cork (*)
18- Blast, de Wyndham Lewis (*)
19- Passando-se, de Nella Larson (Encontre aqui)
20- Beyond The Brillo Box, de Arthur C. Danto (*)
21- The Origin Of Consciousness In The Breakdown Of The Bicameral Mind, de Julian Jaynes (*Encontre aqui)
22- No Castelo do Barba Azul, de George Steiner (Encontre aqui)
23- Duplo Diabólico, de Peter Ackroyd (Encontre aqui)
24- O Eu Dividido, de R. D. Laing (Encontre aqui)
25- O Estrangeiro, de Albert Camus (Encontre aqui)



26- Infants Of The Spring, de Wallace Thurman (*Encontre aqui)
27- Em Busca de Christa T., de Christa Wolf (Encontre aqui)
28- O Rastro dos Cantos, de Bruce Chatwin (Encontre aqui)
29- Noites no Circo, de Angela Carter (Encontre aqui)
30- O Mestre e Margarida, de Mikhail Bulgakov (Encontre aqui)
31- A Primavera da Srta. Jean Brodie, de Muriel Spark (Encontre aqui)
32- Lolita, de Vladimir Nabokov (Encontre aqui)
33- Herzog, de Saul Bellow (Encontre aqui)
34- Puckoon, de Spike Milligan (*Encontre aqui)
35- Black Boy, de Richard Wright (Encontre aqui)
36- O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald (Encontre aqui)
37- O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar, de Yukio Mishima (Encontre aqui)
38- O Zero e o Infinito, de Arthur Koestler (Encontre aqui)
39- A Terra Inútil, de T.S. Elliot (Encontre aqui)
40- McTeague, de Frank Norris (*Encontre aqui)
41- Grana, de Martin Amis (Encontre aqui)
42- O Outsider, de Colin Wilson (Encontre aqui)
43- Strange People, de Frank Edwards (*Encontre aqui)
44- English Journey, de J.B. Priestley (*)
45- Uma Confraria de Tolos, de John Kennedy Toole (Encontre aqui)
46- O Dia do Gafanhoto, de Nathanael West (Encontre aqui)
47- 1984, de George Orwell (Encontre aqui)
48- A Vida e a Época de Little Richard, de Charles White (Encontre aqui)
49- Awopbopaloobop Alopbamboom: The Golden Age of Rock, de Nik Cohn (*Encontre aqui)
50- Mystery Train, de Greil Marcus (*Encontre aqui)



51- Beano (quadrinhos, década de 1950) (*)
52- Raw (quadrinhos, década de 1980) (*)
53- Ruído Branco, de Don DeLillo (Encontre aqui)
54- Sweet Soul Music: Rhythm And Blues And The Southern Dream Of Freedom, de Peter Guralnick (*Encontre aqui)
55- Silêncio: Conferências e Escritos, de John Cage (Encontre aqui)
56- Writers At Work: The Paris Review Interviews, editado por Malcolm Cowley (*)
57- The Sound Of The City: The Rise Of Rock And Roll, de Charlie Gillett (*Encontre aqui)
58- Octobriana And The Russian Underground, de Peter Sadecky (*)
59- The Street, de Ann Petry (*Encontre aqui)
60- Garotos Incríveis, de Michael Chabon (Encontre aqui)
61- Última Saída para o Brooklyn, de Hubert Selby Jr. (Encontre aqui)
62- A People’s History Of The United States, de Howard Zinn (*Encontre aqui)
63- The Age Of American Unreason, de Susan Jacoby (*Encontre aqui)
64- Metropolitan Life, de Fran Lebowitz (*)
65- The Coast Of Utopia, de Tom Stoppard (*Encontre aqui)
66- A Ponte, de Hart Crane (Encontre aqui)
67- All The Emperor’s Horses, de David Kidd (*)
68- Na Ponta dos Dedos, de Sarah Waters (Encontre aqui)
69- Poderes Terrenos, de Anthony Burgess (Encontre aqui)
70- Paralelo 42, de John Dos Passos (Encontre aqui)
71- Tales Of Beatnik Glory, de Ed Sanders (*)
72- O Pintor de Pássaros, de Howard Norman (Encontre aqui)
73- Nowhere To Run The Story Of Soul Music, de Gerri Hirshey (*Encontre aqui)
74- Antes do Dilúvio, de Otto Friedrich (Encontre aqui)
75- Personas Sexuais: Arte e Decadência de Nefertite a Emily Dickinson, de Camille Paglia (Encontre aqui)



76- The American Way Of Death, de Jessica Mitford (Encontre aqui)
77- A Sangue Frio, de Truman Capote (Encontre aqui)
78- O Amante de Lady Chatterley, de D.H. Lawrence (Encontre aqui)
79- A Criação da Juventude, de Jon Savage (Encontre aqui)
80- Vile Bodies, de Evelyn Waugh (*Encontre aqui)
81- Nova Técnica de Convencer, de Vance Packard (Encontre aqui)
82- Da Próxima Vez, o Fogo, de James Baldwin (Encontre aqui)
83- Viz (quadrinhos, início da década de 1980) (*)
84- Private Eye (revista satírica, décadas de 1960 a 1980) (*)
85- Selected Poems, de Frank O’Hara (*)
86- O Julgamento de Kissinger, de Christopher Hitchens (Encontre aqui)
87- O Papagaio de Flaubert, de Julian Barnes (Encontre aqui)
88- Os Cantos de Maldodor, de Comte de Lautréamont (Encontre aqui)
89- On The Road, de Jack Kerouac (Encontre aqui)
90- Mr. Wilson’s Cabinet of Wonders, de Lawrence Weschler (*)
91- Zanoni, de Edward Bulwer-Lytton (Encontre aqui)
92- Dogma e Ritual da Alta Magia, de Eliphas Lévi (Encontre aqui)
93- Os Evangelhos Gnósticos, de Elaine Pagels (Encontre aqui)
94- O Leopardo, de Giusseppe Tomasi Di Lampedusa (Encontre aqui)
95- Inferno, de Dante Alighieri (Encontre aqui)
96-  Grave For A Dolphin, de Alberto Denti di Pirajno (*)
97- O Ataque, de Rupert Thomson (Encontre aqui)
98- In Between The Sheets, de Ian McEwan (*Encontre aqui)
99- Tragédia de um Povo, de Orlando Figes (Encontre aqui)
100- Journey Into The Whirlwind, de Eugenia Ginzburg (*Encontre aqui)
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sexta-feira, 12 de março de 2021

Três vezes em que estrelas foram 'canceladas' por causa de seus cabelos


Na sociedade, os cabelos são considerados a moldura do rosto. A indústria de cosméticos especializados oferece uma ampla lista de produtos de tratamento e coloração para que mulheres possam se sentir mais confiantes com suas madeixas. Elas, por sua vez, podem variar em cortes, pinturas e penteados de acordo com o gosto pessoal, a moda atual ou a personalidade de cada uma. 


No cinema, os cabelos tem uma importância ainda maior, já que a composição de cada personagem exige uma caracterização diferente para auxiliar o processo de criação da representação através do elemento visual. No entanto, muitas vezes o público gosta tanto do que vê nas telas que os cabelos se tornam verdadeiras marcas registradas de algumas estrelas, como o corte 'La Garçonne' de Louise Brooks, o loiro platinado de Jean Harlow ou o estilo 'pantera' de Farrah Fawcett que marcou a década de 70. 

Louise Brooks, Jean Harlow e Farrah Fawcett com seus icônicos penteados


Todavia, em alguns casos, o sucesso acaba se voltando contra os astros e os tornando reféns de suas próprias imagens. Diversas vezes, carreiras foram arruinadas por escândalos em tabloides ou pelo menor sinal de envelhecimento, que ia de encontro à perfeição e ao glamour inalcançáveis que eram cuidadosamente construídos pelos estúdios para encantar o grande público. Em algumas situações, como as que vamos ver abaixo, foram os cabelos os vilões para as atrizes que, assim como o personagem bíblico Sansão, perderam sua força ao corta-los:


Mary Pickford

Mary Pickford no auge da fama e, ao lado, durante a cerimônia do Oscar, 1929

A primeira 'Queridinha da América, Mary Pickford era dona de longos cachos dourados que lhe conferiam um ar ingênuo e angelical. Indo na contramão do estilo 'vamp' de contemporâneas como Theda Bara, a atriz iniciou sua trajetória nas telas em curtas-metragens em 1909, especializando-se em interpretar ao longo dos anos personagens muito mais novas do que realmente era, como nos clássicos 'The Little Princess' (1917) e Pollyanna (1920), com muitos de seus papéis sendo refilmados anos depois por Shirley Temple. Mary reinou absoluta durante as décadas de 1910 e 1920, sendo considerada a estrela mais popular do cinema mudo americano. Após a morte de sua mãe e já cansada de interpretar personagens pobres e infantilizadas ao longo de mais de duas décadas, ela resolveu dar uma repaginada não só na carreira como também no visual, cortando suas icônicas madeixas no estilo 'Bob', muito em voga na época, em 1928.

A notícia do corte de cabelo da atriz chegou a aparecer na primeira página do New York Times

Apesar de ser contra a introdução do som no cinema, a atriz estrelou em 1929 seu primeiro longa falado, 'Coquete' (Coquette), onde aparecia como uma jovem fútil e glamourosa do final dos anos 20. Aos 37 anos, ela continuava interpretando personagens bem mas novas, só que agora seus cachos, que outrora foram a representação física da castidade e da inocência feminina, deram lugar a cabelos curtos acompanhados de roupas sofisticadas. Embora tenha se tornado a segunda vencedora do Oscar de Melhor Atriz por seu desempenho, os fãs não aprovaram a nova fase da 'pequena Mary', que se mostrava adulta até demais. Seus próximos trabalhos, 'A Mulher Domada' (Taming of the Shrew, 1929),
'Forever Yours' (1930) e 'Kiki' (1931) mostraram que sua popularidade estava decaindo e que seus tempos de glória estavam ficando para trás. Após a estreia de 'Segredos' (Secrets, 1933) ela decidiu se aposentar definitivamente. Em 1976, foi congratulada com o Oscar Honorário por sua contribuição ao cinema. Faleceu em 1979, tendo passado seus últimos anos vivendo reclusa em sua mansão.

Veronica Lake


Se as comédias malucas, ou screwball comedy em inglês, deram o tom da década de 30, pode-se dizer que os filmes noir foram o ponto alto dos anos 40. Com a popularidade das 'femme fatale', encontradas neste subgênero, a sensualidade e o ar de mistério começaram a ser características procuradas nas aspirantes à fama em Hollywood. Quando uma mecha de cabelo loiro insistia em cair sobre um dos olhos da iniciante Veronica Lake durante um teste para o longa de guerra 'Revoada das Águias' (I Wanted Wings, 1941), o produtor Arthur Hornblow soube imediatamente que havia encontrado uma nova estrela. O penteado, que ficou conhecido como 'peek a boo' (que significa algo como 'espreitar'), tornou-se uma verdadeira febre entre o público feminino da época e impulsionou a carreira de Lake, que passou de figurante à protagonista. 

A atriz fotografada para a campanha de conscientização do governo americano

O sucesso foi tamanho que começou a trazer uma enorme dor de cabeça para o governo americano. Em meio à Segunda Guerra, sem a mão de obra masculina para operar as fábricas, coube às mulheres ocupar os lugares deixados pelos homens no mercado de trabalho. Imitada por milhares de fãs, que começaram a utilizar as madeixas soltas caindo sobre o olho, Veronica Lake foi chamada pelas autoridades norte-americanas em 1943 para fazer uma propaganda conscientizando as trabalhadoras, após diversos acidentes envolvendo operárias começarem a acontecer, já que muitas mulheres acabavam ficando com os cabelos presos às máquinas. A atriz prontamente atendeu ao chamado, sendo fotografada com os cabelos sendo enrolados por uma furadeira, além de ensinar penteados seguros em uma propaganda (veja aqui). Ela própria passou a utilizar os cabelos presos para criar uma nova imagem e ajudar a influenciar efetivamente na causa proposta pelo governo. No entanto, apesar de sua boa ação, o público não aprovou a mudança e sua carreira começou a enfraquecer. Apesar de continuar trabalhando ao longo da década e de ter retornado ao seu visual clássico, seu único sucesso após a propaganda foi 'A Dália Negra' (The Blue Dahlia, 1946). Seu último trabalho no cinema foi Flesh Feast (1970), um filme de terror de baixo orçamento. Faleceu três anos depois, aos 50 anos, de hepatite.

Rita Hayworth


Considerada um dos maiores 'produtos' do star system de Hollywood, Margarita Cansino precisou fazer uma transformação completa para se tornar uma estrela. De origem hispânica, a jovem dançarina foi submetida a cirurgias plásticas no nariz e no queixo, além de um doloroso procedimento para aumentar a testa. Os cabelos, agora longos, ondulados e ruivos foram o ornamento perfeito para sua versão, repaginada e europeizada. Assim, Margarita deixou de existir, dando lugar a Rita Hayworth. Seja seduzindo Tyrone Power em 'Sangue e Areia' (Blood and Sand, 1941), seja dançando com Gene Kelly e Fred Astaire nos musicais que a tornaram a rainha da Columbia, seu nome tornava-se cada vez mais popular, atingindo o ápice da fama ao interpretar 'Gilda' em 1946. Com a estreia do longa, onde boatos diziam que a beldade aparecia completamente nua e atraiam multidões às salas de cinema, as madeixas avermelhadas da atriz viraram sinônimo de glamour e sensualidade, tornando-a a ruiva mais famosa do cinema.

Rita com o então marido Orson Welles vendo o resultado de sua transformação

Prestes a perder sua identidade pela segunda vez, já que todos ao seu redor pareciam agora associa-la à Gilda, a atriz concordou com seu então marido, o ator e diretor Orson Welles, em fazer uma transformação radical para o longa 'A Dama de Shanghai' (The Lady from Shanghai , 1947), onde interpretaria novamente uma femme fatale. Para se desvencilhar completamente de sua personagem mais aclamada, Hayworth teve sua cabeleira ruiva substituída por madeixas curtas e loiras, para total desespero de Harry Cohn, chefe da Columbia. Temendo que sua maior estrela tivesse sua carreira arruinada, ele exigiu que Welles filmasse mais cenas com closes no rosto de Rita, para tentar amenizar o estrago. Coincidência ou não, acompanhando as previsões de Cohn, o filme foi um retumbante fracasso nas bilheterias. Ao contrário de Pickford e Lake, a atriz não chegou a amargar um declínio profissional, voltando ao ruivo e ao sucesso como a cigana Carmen em 'Os Amores de Carmen' (The Loves of Carmen, 1948). No entanto, após sua saída da Columbia, em 1947, a atriz começou a ter menos destaque nas telas, aposentando-se em 1972, após mais de 60 filmes. Um dos primeiros casos notórios de Alzheimer, faleceu aos 68 anos, em 1987.
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