Nunca Me Digas Adeus (Never Say Goodbye, 1946)


Errol Flynn e Eleanor Parker estrelam a divertida comédia-romântica sobre um casal recém-divorciado mas que ainda se ama. Como sempre acabam brigando em vez de se reconciliarem, cabe à pequena Flip, interpretada pela talentosa Patti Brady, interceder pela relação de seus pais e dar uma de cupido para juntar os dois novamente.


Não é raro termos situações claramente absurdas em comédias, onde precisamos entrar no clima da história e simplesmente nos deixar levar, apreciando o momento de diversão sem levar o roteiro tão a sério. Assim como acreditamos que Tony Curtis e Jack Lemmon realmente se passaram por mulheres sem levantar suspeitas em Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959) ou que Ginger Rogers de fato convenceu a todos que era uma menina de 12 anos em A Incrível Suzana (The Major and the Minor, 1942), aqui também precisaremos usar uma certa dose de imaginação e boa vontade para que possamos nos entreter com o longa, repleto desses pequenos e deliciosos exageros. Logo de cara, nos deparamos com a excêntrica guarda compartilhada de Flip, fruto do casamento dos protagonistas, que passa metade do ano morando com a mãe e a outra metade com o pai, porém durante o período em que está com um dos dois, não tem qualquer contato com o outro.


Após o término do prazo dos meses passados com seu pai, o pintor Phil Gayley, Flip volta para a casa de sua mãe, Ellen, e tenta fazer de tudo para que seus pais deixem-se levar pelo amor que ainda sentem um pelo outro. As tentativas de uma reconciliação acabam sendo frustradas pelo ciúme causado por Nancy Graham, uma das modelos e atual caso amoroso de Phil. Paralelamente aos planos de juntar o casal, Flip tem se correspondido com o fuzileiro naval Fenwick Lonkowski, pois ouviu no rádio sobre a importância de ajudar os combatentes americanos a remediarem sua solidão. Fingindo ser uma mulher apaixonada, a menina, que tem apenas sete anos, acaba enviando uma foto de sua mãe para poder manter a farsa, sem imaginar que um belo dia Lonkowski apareceria em sua porta para conhece-la. Ao descobrir a confusão, Ellen acaba sustentando a mentira da filha, decidida a fazer desta uma excelente oportunidade de fazer o ex-marido pagar na mesma moeda pelo sofrimento que havia lhe causado por causa de um mal-entendido com Nancy. 


Famoso principalmente por seus filmes de aventura no estilo capa e espada, Errol Flynn a esta altura começava a entrar em sua fase de decadência. Levando uma vida boêmia e repleta de escândalos, que incluíam um julgamento por estupro do qual foi inocentado, sua carreira começou a decair na década de 40 e os bons papéis de outrora começaram a ficar cada vez mais escassos no decorrer dos anos. Quase como uma piada interna, Robin Hood, personagem mais famoso de Flynn é citado algumas vezes durante o longa, quando a imaginativa Flip finge que o pai é o icônico herói e fora-da-lei. Como Phil Gayley, Errol Flynn teve a oportunidade de interpretar um de seus poucos protagonistas cômicos, mas como já havia acontecido em 1938, com o longa Amando Sem Saber (Four's a Crowd), numa de suas várias parcerias com Olivia de Havilland, o desempenho do galã em papéis de humor não foi bem recebido pelos críticos. No entanto, o carisma e o charme do ator são inegáveis. Particularmente, apesar de acha-lo um pouco canastrão, tenho que dizer que gosto da presença dele no filme.


A bela Eleanor Paker é mais conhecida nos dias de hoje por sua participação como a Baronesa Elsa von Schraeder no clássico musical A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965), no entanto o auge de sua carreira foi nas décadas de 40 e 50, aparecendo em filmes como Scaramouche (1952), À Margem da Vida (Caged, 1950), Chaga de Fogo (Detective Story, 1951) e Melodia Interrompida (Interrupted Melody, 1955).


Outra presença marcante, além da jovem atriz Patti Brady, é da querida Hattie McDaniel, nesta altura já ganhadora do Oscar por seu desempenho em E o Vento Levou (Gone With the Wind, 1939). Apesar de se consagrar como a primeira artista negra a ser premiada com a estatueta, a atriz continuou a receber apenas pequenos papéis no cinema, geralmente como empregada doméstica.


Humphrey Bogart foi outro que esteve presente no longa, porém de maneira não-creditada. Em uma das cenas, Errol Flynn se veste como o ator para parecer mais durão para seu rival, sendo dublado pelo próprio Bogart!


Curiosamente, o filme tem o mesmo título original do romance estrelado por Rock Hudson em 1956, que recebeu no Brasil o nome Nunca Deixei de Te Amar (Never Say Goodbye), que também tem resenha aqui no blog (aqui).

O dvd do longa está sendo lançado do Brasil pela Classicline e pode ser encontrado nas melhores lojas do ramo. Clique aqui para comprar.

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