Profissão: Ladrão (Thief, 1981)


Dirigido por Michael Mann e estrelado por James Caan, o longa poderia facilmente ser mais uma história sobre roubos, no entanto consegue se destacar pelo realismo das cenas, pela belíssima fotografia e pelas excelentes atuações. Mostrando minuciosamente a forma como o protagonista trabalha logo na abertura, o filme tem um início lento, que permite ao público conhecer um pouco melhor os personagens e algumas de suas motivações, e ganha bastante ritmo e intensidade na metade final.


James Caan interpreta Frank, um ladrão de jóias extremamente competente que começa a se cansar da vida no crime e planeja construir uma família ao lado de Jessie (Tuesday Weld). Após passar anos na cadeia, inicialmente por um pequeno roubo, tendo sua pena aumentada por brigas na prisão, ele começa a mudar sua atitude, adotando uma postura do típico 'cara durão' que não está nem aí para nada. Ao ser solto, ele mantém as aparências como um vendedor de carros, mas sustenta seus luxos roubando pedras preciosas. Acostumado a trabalhar por conta própria, apenas com a ajuda de alguns amigos, ele acaba conhecendo o gangster Leo (Robert Prosky), que lhe faz uma grande oferta de trabalho.


Inicialmente contrariado por não gostar de estar vinculado a ninguém, ele decide aceitar a proposta lucrativa como um último trabalho, no intuito de conseguir dinheiro suficiente para se aposentar e poder viver em segurança com a esposa. No entanto, no decorrer do tempo, a parceria com um criminoso conhecido o coloca em grandes problemas, fazendo com que ele comece a ser monitorado pela polícia. Além do mais, o aparentemente amigável Leo começa a demonstrar que não é tão pacífico assim quando é contrariado, ameaçando não só a vida de Frank, como também a de sua esposa e filho. 


O longa de  Michael Mann é considerado um clássico neo-noir, gênero que mistura características dos filmes noir tradicionais das décadas de 40 e 50, com aspectos mais modernos, como elementos visuais e conteúdos ausentes nos anteriores. Esse estilo, que começou a se distinguir a partir da década de 70, se caracteriza por sua fotografia escura, o posicionamento diferenciado das câmeras, a presença do anti-herói em conflito e ambientes urbanos. Em geral considerados menos refinados, possuem temas mais atuais, além de cenas mais realistas. 


A produção, alias, tentou ser o mais efetiva possível, utilizando ferramentas reais usadas em assaltos, e o ator James Caan chegou a se ferir gravemente na mão em uma das cenas de roubo. O diretor Michael Mann teve a ajuda de policiais e ladrões como consultores para acrescentar elementos mais autênticos ao filme. Um destes consultores foi o ex-ladrão e ex-presidiário John Santucci. Uma das curiosidades e ironias do filme é a utilização de Santucci atuando como um policial, e Dennis Farina, que havia sido policial antes de ser ator, como um dos ladrões amigos de Frank. 


Profissão: Ladrão marcou a estreia de nomes como James Belushi, William Petersen, Dennis Farina, John Kapelos, e Robert Prosky, além de ter sido a primeira grande oportunidade de Michael Mann, que anteriormente havia conseguido apenas trabalhos menores em séries e curtas. Já o protagonista Frank, havia sido pensado para Jeff Bridges, que acabou sendo recusado por ser jovem demais, e depois para Al Pacino, que devido a outros compromissos na agenda não pode aceitar. James Caan tornou-se a escolha perfeita para o papel, conseguindo captar a essência do personagem, chegando a improvisar em algumas cenas. Caan declarou que este foi um de seus filmes favoritos e que o monólogo no restaurante é a cena em que mais se orgulha de ter feito em sua carreira. 

O filme possui uma bela fotografia

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