Passagem Para Marselha ( Passage to Marseille, 1944)


O filme fala sobre uma linda história de amor, onde todos os personagens tem em comum a mesma paixão. Você pode pensar que se trata de um belo relacionamento entre um casal enamorado ou mesmo de uma femme fatale que seduz todos a sua volta, mas não é nada disso. Passagem Para Marselha retrata a verdadeira devoção dos franceses por sua pátria. Michèle Morgan e Humphrey Bogart formam o par romântico do longa, no entanto, em meio a uma história de Guerra, é a França que se torna a grande protagonista.


A história é contada por intermédio de um flashback. E depois de um flashback dentro do flashback. Sei que pode parecer bastante confuso à primeira vista, no entanto é surpreendentemente fácil acompanhar a dinâmica do filme, mesmo com as voltas no tempo.

O início


Durante a Segunda Guerra Mundial, após a derrota da França para a Alemanha, um correspondente chega em uma base aérea francesa escondida na Inglaterra no intuito de escrever uma reportagem. La conhece o Capitão Freycinet, que lhe concede uma entrevista e lhe apresenta um pouco mais do local. Ao se deparar com um dos artilheiros, Jean Matrac, o jornalista fica bastante impressionado com a figura do homem em questão, e decide perguntar mais sobre sua história para o capitão. 

O primeiro flashback


O capitão Freycinet volta alguns anos atrás, logo após a eclosão da Guerra, quando havia sido intimado a retornar para a França. A bordo de um navio na companhia de alguns compatriotas, eles resgatam um pequeno bote, onde se encontravam 5 homens quase mortos, em estado de inanição. Freycinet logo simpatiza com os recém-chegados, no entanto, os outros tripulantes não compartilham do mesmo sentimento, desconfiando tratarem-se de fugitivos da polícia. Sabendo que, muito provavelmente, os homens serão levados em custódia ao aportarem, ele decide ajuda-los, mas para isso precisa ficar ciente dos fatos que os levaram àquela situação.

O segundo flashback


O cinco homens decidem então confiar em Freycinet e contar a verdade sobre como foram parar em um pequeno barco em alto mar, sem água ou comida. Um a um, Marius, Garou, Petit, Renault e Matrac, começam a contar as histórias de suas vidas e como se conheceram ao serem levados para a temida Ilha do Diabo, uma prisão de segurança máxima, localizada na Guiana Francesa. O líder do grupo, Matrac, havia sido um respeitado jornalista, perseguido por questões políticas ao denunciar o nazismo em suas publicações. Após uma fatalidade, Matrac começa a ser procurado pela polícia e se vê obrigado a fugir com sua esposa, Paula, mas acaba sendo capturado e levado para a prisão. Submetido a maus- tratos, mas sem condições de fugir, ele se torna um homem duro e desiludido, vivendo apenas com a esperança de um dia reencontrar sua amada. A sorte dos cinco prisioneiros muda quando um ex-presidiário, já idoso, decide juntar um grupo homens que sejam tão patriotas quanto ele próprio para fugir e se alistar no exército. E é dessa forma que eles acabaram à deriva no pequeno bote, em condições precárias. A partir daí o filme começa a voltar para o primeiro flashback, narrando como os fugitivos conseguiram finalmente se alistar no exército e mostrando o desfecho
dos personagens, já retornando ao ponto que vimos nas primeiras cenas. 

À sombra de Casablanca



Com o inesperado sucesso de Casablanca dois anos antes, a Warner decidiu tentar repetir o feito, e para isso convocou novamente grande parte da equipe, no estilo 'em time que está ganhando não se mexe'. Os atores Humphrey Bogart , Claude Rains, Peter Lorre, Sydney Greenstreet, Helmut Dantine e Corinna Mura, o escritor Casey Robinson , o compositor Max Steiner, o produtor Hal B. Wallis e produtor executivo Jack L. Warner, além do diretor Michael Curtiz voltaram a trabalhar juntos em Passagem Para Marselha. A diferença mais evidente em termos de elenco, foi a escalação da francesa Michèle Morgan como protagonista feminina. Coincidência ou não, a atriz havia sido uma das primeiras escolhas para interpretar Ilsa Lund, porém seu alto salário fez com que o estúdio decidisse optar por Ingrid Bergman. Apesar dos esforços, o longa não teve o mesmo êxito do anterior, ficando com um certo estigma de estar 'à sobra de Casablanca, o que é um pouco injusto. O roteiro dos dois é bem diferente e enquanto o clássico de 1942 foca mais no romance entre seus protagonistas, neste vemos a Guerra e o patriotismo como principais temas abordados, com o relacionamento amoroso estando em segundo plano. Embora o carinho do público pela história de amor impossível entre Rick e Ilsa seja difícil de superar, Passagem Para Marselha também merece ser assistido.

A Ilha do Diabo


A Ilha do Diabo ( Île du Diable) existiu na vida real, considerada uma colônia penal da França, localizada na Guiana Francesa. Até 1946, era uma prisão de segurança máxima para onde eram levados os presos de alta periculosidade. As fugas eram consideradas basicamente impossíveis, pois além de se tratar de um local de difícil acesso, possuía diversos penhascos e as águas eram infestadas de tubarões. A Ilha ganhou fama devido ao livro Papillon, de Henri Charrière, mais tarde transformado em um filme estrelado por Steve McQueen, que conta sobre como o autor conseguiu a façanha de escapar do lugar em 1935, além dos constantes maus-tratos a que era submetido.

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