Resenha dupla de O Sétimo Céu (Seventh Heaven, 1927 e 1937)


Na cultura popular, o sétimo céu representa o paraíso. Segundo a tradição religiosa, o céu é dividido em 7 camadas, sendo a sétima e mais alta a ideia de perfeição do simbolismo bíblico. Não só presente no título, como também no enredo, a religião e a fé são os grandes destaques da história de Chico e Diane. A resenha de hoje é dupla, e fala das versões de 1927, ainda na era do cinema mudo, estrelada por Janet Gaynor e Charles Farrell, e a de 1937, protagonizada por James Stewart e Simone Simon.


As duas versões são quase idênticas, apenas com algumas pequenas diferenças. O filme de 1937, é uma refilmagem com falas, possuindo muitas cenas idênticas à versão anterior. O Sétimo Céu conta a história de Chico, um limpador de bueiros que apesar da humildade de sua profissão e até mesmo das constantes humilhações que sofre, nunca se sente diminuindo, fazendo questão de ressaltar a todo instante que é um sujeito notável. Chico, ao contrário da maioria das pessoas da época, se considera ateu, pois deu várias oportunidades para que Deus demonstrasse sua existência, mas Ele nunca atendeu nenhum de seus pedidos. O rapaz sonha em trabalhar como lavador da rua e encontrar uma mulher descente (em suas próprias palavras) para ser sua esposa.


A jovem Diane exala insegurança e inexperiência, sendo diariamente maltratada por sua irmã mais velha. Após um ataque de fúria desta, Diane foge para a rua, onde apanha publicamente, até que Chico vai em seu auxílio e a salva. Apesar do ato de bondade, Chico sente um certo desprezo pela jovem, mas novamente decide ajuda-la percebendo o quanto ela estava desamparada, e a leva para sua casa. Chico ostenta sempre uma pose segura e durona, mas possui um enorme coração, e logo se vê apaixonado pela bela e inocente Diana, que já o ama em segredo. Os dois aprendem a conviver e passam a apreciar a rotina juntos, tomando a decisão de se casarem. O aparente final feliz é interrompido com a chegada da Primeira Guerra Mundial e o recém-formado casal é obrigado a se separar, sem garantia alguma de que um dia irá novamente estar junto. Com o afastamento iminente, os dois combinam de todo dia, no mesmo horário, pensarem um no outro, de maneira tão intensa que a saudade diminuirá, pois assim poderão sentir a presença de sua figura amada. 


Longe do marido, Diane se descobre uma mulher forte, capaz de enfrentar desde seus pequenos medos, até sua própria irmã, a pessoa que mais temia. Anos se passam durante a Guerra, mas ambos permanecem fieis ao que prometeram, até que um acontecimento ameaça a fé do casal.


O longa de 1927 foi o primeiro a ter Charles Farrell e Janet Gaynor contracenando e devido ao grande sucesso que fez com o público, a parceria se repetiu em outros dez filmes. O Sétimo Céu saiu vencedor de três das principais categorias do Oscar, em sua primeira edição, no ano de 1929, ganhando como melhor roteiro adaptado, melhor diretor para Frank Borzage e melhor atriz para Janet Gaynor, que por muitos anos foi a atriz mais jovem a ganhar tal honraria. O recorde só foi quebrado em 1987, quando Marlee Matlin ganhou a estatueta por Os Filhos do Silêncio. Seguindo a tradição de diversos filmes do cinema mudo que ganharam remake falado, O Sétimo Céu, um dos maiores sucessos da década de 20, foi refilmado, embora sem o mesmo destaque do anterior, 10 anos depois de sua estreia, com um ainda iniciante James Stewart, ao lado da encantadora francesinha Simone Simon. Curiosamente, no longa, Simone interpreta uma jovem que morre de medo de gatos, porém alguns anos depois, a atriz protagonizou o clássico O Sangue da Pantera, de 1942, onde faz o papel de uma mulher que se transforma em uma pantera negra.


Como um grande presente para os cinéfilos, a distribuidora Obras-Primas do Cinema está lançando as duas versões de O Sétimo Céu em uma única edição, que contém ainda uma entrevista em áudio com o diretor Frank Borzage. O dvd pode ser adquirido nas melhores lojas do ramo, mas para facilitar, clique em um dos links abaixo para comprar na loja de sua preferência.

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