O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights, 1939)


Baseado no clássico da literatura de mesmo nome, escrito por Emily Brönte, o longa conta a trágica e obsessiva história de amor e ódio entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, interpretados por Merle Oberon e Laurence Olivier. 


A primeira vez que assisti o filme, confesso que odiei. Havia sido informada de que se tratava de uma das mais belas histórias de amor do cinema. Ao assisti-lo, fiquei revoltada! Como dois personagens tão desprezíveis poderiam ser tão aclamados desse jeito? Como aquele romance poderia ser considerado tão inspirador? Aos poucos, entendi que não se trata de uma história de amor. Se trata de uma história de ódio. De vingança. E, sim, também de amor. Mas não é um amor comum, é um amor obsessivo, quase doentio, que é difícil conseguir imaginar. Uma trama impossível de deixar qualquer um indiferente. Assim que a compreendi, passei a ama-la. Fiquei fascinada com a intensidade dos sentimentos e com a ousadia de Emily Brönte ao escrever algo tão à frente de seu tempo, onde a beleza está justamente nas imperfeições e nos defeitos dos personagens. 


Cathy não é uma típica mocinha de romance. Ela é egoísta e mimada, acostumada a fazer as coisas do seu jeito. É dramática e tem constantes variações de humor; Já Heathcliff, apesar de extremamente apaixonado, é um homem ferido moralmente, tendo sido humilhado por toda sua vida. Criados juntos desde a infância, quando o pai de Cathy acolheu Heathcliff, e os dois desenvolveram uma forte relação de cumplicidade, além de uma intensa relação amorosa.  Após a morte de seu benfeitor, o rapaz é vítima de constantes atrocidades cometidas por Hindley Earnshaw, o ciumento irmão de Cathy, que o considerava um rival pela afeição do pai. Embora seu amor o faça suportar as dificuldades, é no ódio e na esperança de um dia se vingar, que Heathcliff encontra consolo e motivação para prosseguir. 


Ao conhecer seu vizinho, Edgar Linton, Cathy começa a se deixar levar pelo conforto e elegância do estilo de vida que ele poderia proporcionar e acaba aceitando casar-se com ele, mesmo amando Heathcliff. Mais uma vez humilhado e ferido, desta vez por sua amada, ele é tomado pela sede de vingança, decidindo ir embora e só retornar quando estivesse rico o suficiente para fazer todos que o fizeram mal sofrerem. E assim o faz. Anos mais tarde, ele volta para a cidade como um homem poderoso e com muitas posses, decidido a tirar todos os bens de Hindley e destruir a felicidade de Cathy e Edgar, ainda que para isso use inocentes, como é o caso de Isabella Linton, irmã de Edgar, com quem se casa apenas para provocar sua antiga paixão. 


Clássico indispensável para todos os amantes de cinema e literatura, a versão de 1939 conta ainda com as presenças de David Niven e Geraldine Fitzgerald, além da direção de William Wyler. Recentemente, a Classicline lançou uma belíssima edição do filme, que você pode comprar aqui


Curiosidades:

Vivien Leigh queria interpretar Cathy, ao lado de seu amado Laurence Olivier, mas os produtores preferiram Merle Oberon, oferecendo o para a atriz o papel coadjuvante de Isabella. Após sua recusa, Geraldine Fitzgerald foi contratada em seu lugar. 

Laurence Olivier, Merle Oberon e Vivien Leigh nos bastidores do longa

Embora tivessem trabalhado juntos e sem atritos anteriormente, no filme O Divórcio da Madame x, Laurence Olivier e Merle Oberon tiveram uma péssima relação durante as gravações de O Morro dos Ventos Uivantes. Olivier queria Vivien Leigh como seu par romântico e descontou em Merle sua frustração, tratando a atriz rispidamente. Mesmo gravando cenas românticas com profissionalismo, os dois voltavam a brigar logo após o 'corta'.


Acostumado com o estilo de atuação dos palcos, onde já era uma estrela, Olivier admitiu, anos mais tarde, que sua atitude durante as gravações foram arrogantes, por julgar já saber tudo sobre o ofício. Ao gravar suas primeiras cenas, com modos excessivamente teatrais, foi repreendido por Wyler e esbravejou contra a equipe e os métodos usados no cinema, sendo ridicularizado por todos, que caíram na gargalhada. 

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