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segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Casais da vida real que pouca gente lembra que existiram

O que não falta na história do cinema são casais de atores que passaram da ficção para a realidade e foram amplamente divulgados pela imprensa, como Elizabeth Taylor e Richard Burton ou Alain Delon e Romy Schneider. Há também as duplas queridinhas do público, cuja parceria se tornou lendária, como Paul Newman e Joanne Woodward ou Humphrey Bogart e Lauren Bacall.

Mas, aqui, o que vamos explorar são casais que por algum motivo já não são mais tão lembrados assim pela grande maioria das pessoas. Vou separá-los em três categorias: Casados, namorados e casos.Vou fazer essa divisão porque nos relacionamentos assumidos geralmente existem mais provas, já em casos (que muitas vezes são extraconjugais) nem sempre existem registros e informações que não sejam de veículos de fofoca. 


Casados oficialmente


Ava Gardner e Mickey Rooney



Mickey Rooney já era um ator popular quando conheceu a então novata Ava Gardner. O astro, que fazia enorme sucesso com a série de filmes do personagem 'Andy Hardy', se encantou com a enorme beleza da jovem, recém-contratada pela MGM, fazendo de tudo para conquistá-la. Vinda do interior e criada em uma família conservadora, Ava era ainda bastante inocente na ocasião. Os dois se casaram em 10 de janeiro de 1942 e, segundo algumas fontes, foi com Rooney sua primeira experiência sexual. A união, entretanto, terminou em divórcio no ano seguinte, por conta das constantes infidelidades do ator.

Jane Wyman e Ronald Reagan  


Os dois se conheceram quando trabalharam juntos no longa 'Os Cadetes do Barulho' (Brother Rat, 1938). Após um breve namoro, ficaram noivos e se casaram em 26 de janeiro de 1940. O casal teve duas meninas, Maureen Elizabeth Reagan, nascida em 1941, e Christine Reagan, que morreu um dia após seu nascimento, em 1947. Eles também adotaram um filho, Michael Edward Reagan, que nasceu em 1945. Eles se divorciaram oficialmente em 1949, com a alegação de diferenças políticas. Curiosamente, a atriz era republicana registrada, enquanto Reagan, nesta época, ainda era democrata.

Joan Blondell e Dick Powell


Joan Blondell e Dick Powell casaram-se em 19 de setembro de 1936. Os dois já haviam trabalhado juntos em diversos filmes, como 'Cavadoras de Ouro' (Gold Diggers of 1933), Belezas em Revista (Footlight Parade, 1933) e 'Gondoleiro da Broadway' (Broadway Gondolier, 1935). Em 1938, eles tiveram uma filha, Ellen Powell. O ator também adotou o filho do casamento anterior de Blondell, Norman Scott Powell, nascido em 1935. O casamento terminou em divórcio em 1944.

Margaret Sullavan e Henry Fonda


Os dois atores se casaram muito jovens, em 25 de dezembro de 1931, enquanto ambos se apresentavam com os University Players (uma companhia de teatro universitária) em sua temporada de inverno em Baltimore, Maryland. O casamento durou apenas alguns meses e o divórcio foi finalizado em 1933. Posteriormente, chegaram a trabalhar juntos em 'Vivendo na Lua' (The Moon's Our Home, 1936), onde o romance foi brevemente reacendido. Apesar da separação, eles permaneceram grandes amigos por toda a vida.

Paulette Goddard e Burgess Meredith


Por mais que já tivessem atuado juntos no musical 'Amor da Minha Vida' (Second Chorus, 1940), Paulette Goddard e Burgess Meredith se casaram apenas em 1944, em uma cerimônia na casa de David O. Selznick, em Beverly Hills. Durante o período em que estiveram casados, dividiram as telas também nos filmes 'Segredos de Alcova' (The Diary of a Chambermaid, 1946) e 'Nosso Alegre Caminho' (On Our Merry Way, 1948). Embora Paulette nunca tenha tido filhos, sua única gravidez conhecida pelos biógrafos aconteceu durante a união com Meredith, em 1944, que culminou em um aborto espontâneo. Os dois se divorciaram em 1949.

Namorados

Olivia de Havilland e James Stewart 


Era prática comum em Hollywood que os agentes persuadissem seus pupilos a irem juntos em grandes eventos para atrair a atenção da mídia. James Stewart foi convidado a acompanhar a jovem estrela Olivia de Havilland na pré-estreia de 'E o Vento Levou' (Gone With the Wind) em Nova York, no final de 1939. Muito tímidos, os dois logo criaram uma conexão e iniciaram um romance em 1940. Inseparáveis, eles iam juntos a shows e jantares, faziam passeios de carro e se divertiam muito na companhia um do outro. Jimmy chegou até a propor casamento mas Olivia recusou, sabendo que seria um passo precipitado e impulsivo. O namoro chegou ao fim quando o ator se alistou no exército, no começo de 1941. Os dois tentaram manter contato mas o relacionamento já havia esfriado. A atriz chegou a ser convidada para estrelar 'A Felicidade Não Se Compra' (It's a Wonderful Life, 1946), mas recusou por achar que seria estranho fazer par romântico com seu ex.

Norma Shearer e George Raft


Viúva do produtor Irving Thalberg, falecido em 1936, Norma Shearer estava solteira novamente após quase 10 anos de casada. Depois de alguns breves romances, a atriz engatou um namoro com George Raft por volta de 1940. Os dois eram vistos em diversos eventos públicos e pareciam bastante apaixonados. O relacionamento era tão sério que o ator até planejava pedi-la em casamento. Entretanto, um pequeno detalhe o impediu de seguir adiante: Ele já era casado. Embora estivesse há muito separado de Grace Mulrooney, sua esposa desde 1923, ela se recusava terminantemente a conceder-lhe o divórcio sem uma generosa compensação financeira. Percebendo a falta de empenho de Raft em se divorciar, Norma constatou que a relação não teria futuro e optou por terminar de vez com o astro em 1941. 

Leslie Caron e Warren Beatty


Leslie Caron vivia um casamento em crise com o diretor Peter Hall, com quem teve dois filhos. A relação desgastada e o ressentimento do marido com sua carreira afastavam cada vez mais o casal. Foi então que a atriz conheceu Warren Beatty, cinco anos mais jovem que ela, e dono de uma enorme reputação com as mulheres. Os dois logo iniciaram um romance, tornando inevitável seu divórcio com Peter, oficializado em 1965. Leslie e Warren passaram a se relacionar publicamente, ganhando bastante atenção da imprensa. No cinema, atuaram juntos na comédia-romântica 'A Deliciosa Viuvinha' (Promise Her Anything, 1966). Embora as afeições de um dos homens mais cobiçados da época fossem lisonjeiras, a atriz chegou a negar seu pedido de casamento por conta de seu jeito excessivamente controlador. Quando Beatty comprou os direitos do filme 'Bonnie & Clyde', ele foi dolorosamente sincero com Leslie, revelando que ela não poderia interpretar a protagonista por ser velha demais. Ele havia oferecido o papel para Natalie Wood, sua ex-namorada, que declinou da proposta. Com o início das gravações, tendo Faye Dunaway no papel principal, Leslie ficou em Londres com os filhos, enquanto Warren estava filmando em Hollywood, o que culminou no término do casal.

Pier Angeli e Kirk Douglas


O astro Kirk Douglas e a então iniciante Pier Angeli se conheceram durante as gravações do drama 'A História de Três Amores' (The Story of Three Loves, 1953). Um notório mulherengo, Douglas se apaixonou perdidamente pela beleza etérea da jovem italiana e os dois chegaram a ficar noivos no mesmo ano. Mas o romance entre os dois chegou ao fim tão rápido quanto começou. No ano seguinte, ambos já estavam casados com outras pessoas. Douglas subiu ao altar com Anne Buydens e Pier Angeli, após um breve e intenso namoro com James Dean, se uniu a Vic Damone.

Dolores Del Río e Orson Welles


Ainda adolescente, Orson Welles se apaixonou platonicamente por Dolores Del Río ao assistir 'Ave do Paraíso' (Bird of Paradise, 1932). Alguns anos mais tarde, já como uma jovem promessa do cinema, Welles teve a oportunidade de conhecer pessoalmente a beldade mexicana durante uma festa em Hollywood, em 1939. Nem a diferença de onze anos de idade, nem o fato de ambos serem casados, impediu que a imediata atração entre os dois se transformasse em um romance. Já divorciados de seus respectivos parceiros, apareciam frequentemente juntos em público. A atriz era seu porto seguro durante as filmagens de 'Cidadão Kane' (Citizen Kane, 1941), considerada sua obra-prima. Os dois também trabalharam juntos na produção 'Jornada do Pavor' (Journey Into Fear, 1943). Com as polêmicas geradas com 'Cidadão Kane', Welles passou a ser perseguido pelo magnata William Randolph Hearst, considerado a inspiração para o personagem principal. Para evitar problemas, o cineasta foi enviado para o Rio de Janeiro, com o intuito de gravar um documentário no país, intitulado 'It's All True', ajudando também a estreitar os lados entre Brasil e EUA. Ao chegar no país, Welles não resistiu à boemia carioca e passou a frequentar as agitadas noites da cidade, além de ter inúmeros casos. Com a falta de respostas às suas cartas, aliada ao declínio de sua carreira em Hollywood, Dolores Del Río optou por retornar ao México, onde foi um dos maiores nomes da Era de Ouro do Cinema Mexicano. Apesar do término nada respeitoso, muitos consideram que a atriz tenha sido o grande amor da vida de Orson Welles.

Casos

Barbara Stanwyck e Robert Wagner


Embora tenha acontecido no início dos anos 50, o romance entre os dois foi mantido em segredo absoluto até o lançamento do livro 'Pieces of My Heart', autobiografia de Robert Wagner, publicada em 2008. Barbara Stanwyck, então com 45 anos, conheceu o jovem ator de 22 anos durante as gravações do filme 'Náufragos do Titanic' (Titanic, 1953). A atriz havia se divorciado há cerca de dois anos do também ator Robert Taylor e prometera a si mesma nunca mais se casar. Wagner era ainda um astro em ascensão e um antigo admirador do trabalho de Stanwyck. Os dois se aproximaram e iniciaram um caso apaixonado de aproximadamente quatro anos. Entretanto, segundo os relatos de seu livro, Barbara sabia que a diferença de 23 anos entre o casal seria um enorme escândalo e optou por terminar o relacionamento . 'Eu sempre teria sido o Sr. Stanwyck e nós dois sabíamos disso', escreveu Wagner em suas memórias.

Judy Garland e Tyrone Power


O relacionamento entre os dois astros começou em 1943. Na época, Judy Garland ainda era legalmente casada com o compositor David Rose, porém o casal já estava separado. Tyrone Power era casado com a atriz Annabella. Embora breve, o caso entre os dois foi intenso e apaixonado, com Garland chegando a engravidar do ator. Louis B. Mayer, chefe da MGM, e um lendário tirano com seus contratados, tinha em Judy Garland uma de suas principais vítimas, já que a atriz era uma das estrelas mais rentáveis do estúdio. Mayer contratou uma assistente particular para sua pupila, que na realidade era sua informante sobre todos os passos da jovem. Judy foi obrigada por Mayer e pela mãe a fazer um aborto, já que uma gravidez nestas circunstâncias teria um enorme impacto em sua imagem pública. Sobre o fim do relacionamento, há os que acreditam que o motivo foi a relutância de Power em se divorciar. Há também a versão de que Mayer fez com que Judy acreditasse que o ator lia suas cartas em voz alta para os soldados, visto que neste período ele estava servindo ao exército durante a Segunda Guerra. 

Jean Seberg e Clint Eastwood


O filme 'Os Aventureiros do Ouro' (Paint Your Wagon, 1969) une dois gêneros bem diferentes, o faroeste e o musical, fazendo os 'durões' Clint Eastwood e Lee Marvin soltarem a voz. Para além do excêntrico enredo, os bastidores do longa também formaram um casal aparentemente inusitado, com o já consolidado herói de 'Bang Bang' Eastwood e a sofisticada Jean Seberg. A atriz conciliava sua carreira em Hollywood com seu título de musa da nouvelle vague francesa. Apesar de ambos serem casados na época, apenas um deles mergulhou de cabeça na relação. Perdidamente apaixonada, Jean pediu o divórcio para seu marido, o romancista Romain Gary, na esperança de iniciar oficialmente um namoro com seu colega de elenco. Porém, apesar de ter se encantado com a sensibilidade e a delicadeza de Seberg, Clint não tinha a menor intenção de se divorciar de sua esposa, Maggie Johnson. O astro, que possui até alguns filhos fora de seus casamentos, era abertamente infiel. Uma de suas amantes, inclusive, chegou a fazer figuração em 'Os Aventureiros do Ouro', sem que Seberg soubesse. Para o enorme choque e decepção da atriz, quando as gravações foram encerradas, o caso entre os dois também teve seu fim decretado. Quando se reencontraram novamente nos corredores do estúdio, Clint passou a tratá-la friamente, apenas como uma mera conhecida, para o consternamento da estrela. 

Vivien Leigh e Peter Finch


Ao lado de Laurence Olivier, com quem se casou em 1940, Vivien Leigh formava um dos casais mais respeitados do cinema e do teatro. Entretanto, fora dos olhares do público, a relação entre os dois há muito já havia desmoronado. A atriz, diagnosticada com bipolaridade, sofria com as constantes oscilações de humor. Seus hábitos nada saudáveis, como cigarros e bebidas em excesso, aliados à carência em tratamentos eficazes para doenças psiquiátricas na época, a deixavam ainda mais vulnerável. Apesar do grande amor que sentiam, os constantes colapsos mentais de Vivien acabaram enfraquecendo a relação entre os dois. Não eram raras as infidelidades da atriz durante seus episódios de mania. Em 1953, com o início das gravações do filme 'No Caminho dos Elefantes' (Elephant Walk), com locações no Ceilão, Peter Finch foi escalado como um dos protagonistas. O ator, que era casado com Tamara Finch, e um velho amigo do casal, foi escolhido para ajudar a tomar conta de Vivien. Inebriados com o clima quente e exótico do país, os dois iniciaram um relacionamento amoroso regado a álcool e conversas sob as estrelas. Apesar do romance, a atriz teve diversos surtos durante as filmagens, chegando a perseguir Finch o chamando de Larry. Com algumas cenas mental e fisicamente desafiadoras no roteiro, a produção percebeu que Leigh não teria condições de continuar no projeto. Laurence Olivier foi notificado sobre o estado de sua esposa e Elizabeth Taylor foi contratada para substituí-la no papel principal. 

Audrey Hepburn e Ben Gazzara


Após separar-se de Mel Ferrer, Audrey Hepburn tinha encontrado o amor novamente, desta vez ao lado do psiquiatra italiano Andrea Dotti. Decidida a fazer o casamento dar certo, ela chegou a se aposentar do cinema em 1967 e foi morar na Europa, dedicando-se exclusivamente à família. Mas seu castelo de cartas logo ruiu, diante das inúmeras infidelidades do marido, que procurava mulheres mais jovens em suas aventuras. Diante do iminente fracasso de seu segundo matrimônio, a atriz voltou a aceitar eventuais convites para atuar. Em 1979, ela foi escalada para protagonizar 'A Herdeira' (Bloodline), adaptação da obra de Sidney Sheldon, que contava com um elenco estelar. Dentre seus colegas, estava Ben Gazzara. Os dois passavam por situações parecidas em seus respectivos relacionamentos. Segundo o próprio ator 'Ela estava infeliz em seu casamento e sofrendo. Eu estava infeliz e sofrendo em meu casamento. Nos unimos e demos consolo um ao outro e nos apaixonamos, mas era impossível. Ela tinha uma vida na Europa, na Suíça. Eu estava em Los Angeles com outra vida. A vida atrapalhou o romance.' Apesar do término, eles atuaram juntos novamente em 'Muito Riso e Muita Alegria' (They All Laughed, 1981).
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sábado, 15 de setembro de 2018

Pôsteres de Um Corpo Que Cai (Vertigo, 1958)


Um dos elementos mais importantes na divulgação de um filme é o poster. É através dele que temos uma primeira ideia sobre o que iremos assistir e as informações técnicas básicas, como elenco, diretor e etc. Além do poster oficial, há sempre várias versões diferentes que podemos encontrar por aí, seja publicidades diferentes feitas pelo próprio estúdio na época do lançamento, seja versões feitas em outros países, assim como releituras de edições mais atuais de dvds e blu-rays, ou mesmo trabalhos feitos por artistas gráficos e/ou fãs de cinema. 

Inaugurando uma nova série de postagens aqui no blog, iremos homenagear um filme por vez e apresentar diferentes versões de pôsteres feitos para ele. O primeiro longa escolhido, é o clássico dirigido por Alfred Hitchcock e estrelado por James Stewart e Kim Novak: Um Corpo Que Cai (Vertigo, 1958).

Poster oficial




















Não achei o crédito de todas as imagens. Se você conhecer a fonte, coloca aqui pra mim nos comentários. =)
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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Atores que protagonizaram duas versões de um mesmo filme

Abaixo, uma seleção de refilmagens que tiveram como protagonistas os mesmos atores das versões originais, reprisando seus papéis. Nesta lista, colocarei apenas os filmes clássicos, deixando de lado produções mais atuais.

Sean Connery em 007 Contra a Chantagem Atômica (1965) e 007 Nunca Mais Outra Vez (1983)


Primeiro ator a viver James Bond nas telas, Sean Connery estrelou 5 filmes da franquia durante a década de 60. Após uma breve pausa, na qual George Lazenby interpretou o agente britânico em '007 - A serviço Secreto de Sua Majestade' (On Her Majesty's Secret Service), Connery voltou a ter licença para matar em 1971, no filme '007 - Os Diamantes São Eternos' (Diamonds Are Forever). Após este retorno, o ator jurou que jamais atuaria novamente como o personagem. No entanto, em 1983, quando o atual Bond era Roger Moore, foi feita uma produção paralela e considerada não-oficial, onde Sean Connery pagou a língua e mais uma vez desempenhou seu papel mais famoso, em '007 Nunca Mais Outra Vez' (Never Say Never Again), título que faz uma brincadeira, sugerida por sua própria esposa, com a promessa quebrada. A obra não pôde utilizar marcas registradas como a logo e a trilha sonora que já eram tradicionais e não obteve o mesmo sucesso dos trabalhos anteriores. A história nada mais era do que uma refilmagem de '007 Contra a Chantagem Atômica' (Thunderball), estrelado em 1965 pelo próprio Connery, considerado um dos mais lucrativos da franquia.

*Quem quiser saber mais, leia também a matéria Tudo sobre James Bond*

Clark Gable em Terra de Paixão (1932) e Mogambo (1953)


Em 1932, Gable estrelou ao lado de Jean Harlow e Mary Astor o triângulo amoroso entre o dono de uma plantação de borracha, uma prostituta e a esposa de um de seus funcionários. Vinte e um anos mais tarde, Gable protagonizou Mogambo, onde vive um caçador que se encontra dividido entre uma antiga amante e uma mulher casada. Apesar de algumas sutis diferenças, o longa de 1953 é uma refilmagem de Terra de Paixão.

Ingrid Bergman em Intermezzo (1936 e 1939)


Ao assistir o drama sueco Intermezzo, que fala sobre o amor proibido entre um violonista casado e uma professora de piano, David O. Selznick logo notou a jovem promissora que protagonizara o longa. Rapidamente tratou de contactar a bela atriz e traze-la para Hollywood, onde fez sua estreia na versão americana do filme, lançado em 1939 e intitulado Intermezzo: Uma História de Amor (Intermezzo: A Love Story). A jovem em questão era a futura estrela Ingrid Bergman, que fez paz romântico, respectivamente, com os atores Gösta Ekman e Leslie Howard nas obras citadas.

Ingrid Bergman como Joana D'Arc (1948 e 1954)


Outro papel interpretado por ela mais de uma vez foi o de Joana D'Arc. A atriz, que já havia interpretado a mártir francesa no teatro em 1946, realizou seu sonho de levar a história para as telonas dois anos depois, no longa que levou o nome da personagem (em inglês Joan of Arc). Anos mais tarde, em 1954, ela estrelou a versão musical que conta o martírio da heroína no filme Joana d'Arc de Rossellini (Giovanna d'Arco al rogo), dirigido por seu então marido Roberto Rossellini.

Greta Garbo como Anna Karenina (1927 e 1935)


Greta Garbo viveu pela primeira vez a protagonista da obra de Liev Tolstoy ainda no cinema mudo, no filme intitulado Love, em 1927. Alguns anos depois, em 1935, já no cinema falado, ela voltou a interpretar a personagem-título em uma das adaptações mais famosas e aclamadas do romance russo. Na trama, uma bela aristocrata se encontra em um casamento sem amor e choca a sociedade da época ao abandonar o marido e o filho para viver uma relação imprópria com um oficial sedutor.

Greta Garbo como Anna Christie (Versão americana e alemã, 1930)


Anna Christie é conhecido por ser o primeiro filme falado de Greta Garbo, mas poucos sabem que existe uma versão alemã do longa, também estrelado pela atriz. Durante as primeiras produções do cinema sonoro, era comum que fossem feitas também versões em línguas estrangeiras das obras, muitas vezes utilizando os mesmos cenários, figurinos e até mesmo atores, como neste caso. As películas são ambas de 1930, sendo adaptações da peça de Eugene O'Neill para as telas.

Os filmes Orquídeas Selvagens (Wild Orchids, 1929) e O Véu Pintado (The Painted Veil, 1934), ambos também protagonizados por Garbo, embora não sejam exatamente versões de uma mesma história, possuem um enredo bastante semelhante.

Oliver Hardy e Stan Laurel em Duck Soup (1927) e Outra Encrenca (1930)


Baseado num esboço escrito pelo pai de Stan Laurel em 1908, os dois curta-metragens foram estrelados por uma das duplas mais famosas do cinema. Apesar das duas versões terem sido filmadas no curto intervalo de 3 anos, a primeira, intitulada 'Duck Soup' é muda, enquanto 'Outra Encrenca' (Another Fine Mess, 1930) já faz parte da era sonora. Conta a história de dois vagabundos que se instalam em uma mansão vazia e precisam se virar para não serem pegos quando aparecem interessados em alugar o local. Para quem quiser assistir, os dois curtas estão disponíveis no Youtube. (Clique aqui) para ver Duck Soup e (aqui) para ver Outra Encrenca.

James Stewart em Harvey (1950 e 1972)


Além das duas versões, James Stewart interpretou Elwood P. Dowd também na Broadway. O ator Jesse White foi seu companheiro de elenco nas três produções, vivendo Duane Wilson. A história gira em torno de um homem que afirma ter amizade com um coelho gigante que ninguém é capaz de ver. Embora a adaptação cinematográfica de 1950 seja mais famosa, Stewart declarou ter ficado mais satisfeito com sua atuação na versão da comédia feita para a televisão, em 1972.

John Wayne em Onde Começa o Inferno (1959) e El Dorado (1967)


Embora o diretor Howard Hawks tenha negado veementemente ter feito duas versões de um mesmo filme, é um fato óbvio que El Dorado (1967), estrelado por John Wayne e Robert Mitchum, é uma refilmagem de Onde Começa o Inferno (Rio Bravo, 1959), protagonizado também por John Wayne, só que desta vez ao lado de Dean Martin. Os dois longas, no entanto, tem algumas diferenças no roteiro. Enquanto no primeiro o personagem de Wayne é o xerife, no faroeste de 1967 ele interpreta um pistoleiro. Apesar disso, as duas produções contém basicamente o mesmo enredo.

Alan Hale como Little John em Robin Hood (1922, 1938 e 1950)


Alan Hale (não confundir com seu filho, o também ator Alan Hale Jr) interpretou o fiel escudeiro de Robin Hood em 3 filmes diferentes, com protagonistas distintos. O primeiro, em 1922, ainda no cinema mudo, teve como astro Douglas Fairbanks, que coincidentemente também não deve ser confundido com seu filho, Douglas Fairbanks Jr. A versão mais famosa da história é certamente a de 1938, estrelada por Errol Flynn, intitulada As Aventuras de Robin Hood (The Adventures of Robin Hood). Em 1950, ele viveu o personagem pela última vez, retratando um Little John já envelhecido no longa O Cavaleiro de Sherwood (Rogues of Sherwood Forest), com John Derek no papel principal, de filho do lendário fora da lei.

Bônus:

Michael Caine em Jogo Mortal (1972) e Um Jogo de Vida ou Morte (2007)


No longa de 1972, Michael Caine divide a cena com ninguém menos que Laurence Olivier, numa trama onde um marido traído decide enfrentar o amante mais jovem de sua esposa em um jogo arriscado. Já em 2007, Caine passou para o outro lado, vivendo o rico e excêntrico escritor que busca se vingar do novo namorado de sua mulher, interpretado por Jude Law.



Lembram de mais exemplos? Gostariam de uma versão de diretores? Comentem aqui embaixo! 
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sexta-feira, 2 de junho de 2017

A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington, 1939)


Caso se tratasse de um breve resumo, poderíamos dizer que o filme foi dirigido por Frank Capra e traz James Stewart como protagonista, interpretando um personagem idealista e incorruptível.


Mas peraí! Essa não é a mesma história de Do Mundo Nada Se Leva (1938) e A Felicidade Não Se Compra (1946)? Sim, de fato a sensação de déjà vu é inegável, já que os protagonistas honestos e sonhadores são a marca registrada dos trabalhos do diretor, que tinha como 'muso' o ator James Stewart e o escalou para três de seus filmes mais famosos. Apesar da base temática ser a mesma e as lições edificantes estarem presentes em cada um dos trabalhos de Capra, os enredos de seus filmes são bastante distintos entre si.


Diferente dos outros dois longas que marcaram a parceria entre o ator e o diretor, em 'A Mulher Faz o Homem' temos não só o fator motivacional, onde os verdadeiros valores da vida são reafirmados, como também podemos observar uma forte crítica social, denunciando as farsas para manobrar o povo e os males feitos em prol da ambição. Não é nenhuma surpresa que o lançamento do filme tenha desagradado enormemente os políticos da época e também a imprensa americana, que repudiou a maneira pejorativa com a qual foi retratada. Diversos países, em especial os que estavam sob a ocupação dos nazistas, proibiram a exibição da película ou dublaram as falas com textos mais apropriados para os seus interesses, afinal não era conveniente que a população soubesse como homens poderosos usam de sua influência para manipular e conseguir dinheiro e poder dos quais não tem nenhum direito.


O filme começa com a morte de um senador, que causa uma grande comoção entre os membros de seu partido. A agitação nada tem a ver com o apreço exercido pelo parlamentar e sim com a preocupação em achar um substituto ideal para o falecido, que reúna como princípio básico a veia corrupta aliada à mediocridade, para apenas seguir as ordens dos empresários poderosos sem fazer perguntas, se contentando com a propina recebida. À princípio, o Senador Joseph Paine parece ser a escolha adequada, porém a sugestão não é bem recebida e o jovem escoteiro Jefferson Smith acaba sendo o eleito.


O rapaz é um membro exemplar de uma cidade do interior, com um enorme carisma com as crianças, e por não ter o menor conhecimento em política, passa a ser visto como um peão facilmente manobrável pelos membros do partido. Idealista e nacionalista ao extremo, ele pretende criar um projeto para auxiliar os meninos que não tem moradia fixa e dar-lhes uma profissão para melhorar o futuro dos jovens do país. Embora cheio de boas intenções, Jefferson Smith tem como principal defeito, se é que pode-se assim nomear, sua ingenuidade, que o faz cego para os verdadeiros planos do Senador Paine ao acolhe-lo. Para ele, o Senador é um ídolo e um sinônimo de idoneidade, já que foi um dos melhores amigos de seu pai durante a juventude. 


Cabe a Clarissa Saunders, secretária de Smith, que acaba se apaixonando por ele, alerta-lo sobre os estratagemas de Paine, que utiliza sua bela filha Susan para distrair o aprendiz de político de seus afazeres. Com a descoberta de que os habitantes de Washington não são tão gentis e honestos quanto os de sua cidadezinha no interior, sendo vítima de armações tanto da imprensa quanto dos colegas corruptos, o jovem passa por uma crise existencial, até se dar conta de que não pode desistir de seus ideais e deixar que o povo seja mais uma vez prejudicado por conta da ganância de homens poderosos. 


Dolorosamente atual, mesmo tendo sido feito em 1939, o filme inspirou muitas pessoas a entrarem para a política e lutarem por um mundo melhor. Embora o título faça alusão à importância da mulher na vida de Smith, provavelmente se referindo à personagem de Jean Arthur, a versão brasileira é injusta com o protagonista, que é a verdadeira força do enredo. Clarissa de fato é importante para abrir os olhos do personagem, mas é na fé dele em um país melhor que está a motriz do longa. Em seu discurso na reta final, onde Smith está há mais de um dia sem se render à pressão exercida por seus oponentes e a exaustão de seu próprio corpo, James Stewart utilizou bicarbonato de sódio para deixar sua voz rouca e dar mais veracidade ao cansaço de Smith. O ator levou bastante a sério seu desempenho, pois sabia que seria um papel capaz de leva-lo ao estrelato de maneira definitiva. No elenco, também estão os maravilhosos Claude Rains e Edward Arnold, que interpretou o pai de Stewart em Do Mundo Nada Se Leva, no ano anterior.

O dvd do clássico está sendo lançado pela Classicline e pode ser encontrado nas melhores lojas do ramo. Pra facilitar, clique no nome da loja de sua preferência e você será redirecionado para o site:

Loja virtual Classicline - Saraiva - Livraria da Folha - Livraria Cultura
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