Rio Grande, 1950


Com o título original Rio Grande, o filme de 1950 foi dirigido por John Ford e estrelado por John Wayne e Maureen O'Hara, dois dos atores favoritos do cineasta e uma das mais famosas duplas das telas, aqui em seu primeiro trabalho juntos. No Brasil, por algum motivo o longa foi intitulado Rio Bravo, o que pode causar bastante confusão com outro faroeste protagonizado por Wayne, desta vez ao lado de Dean Martin e Angie Dickinson em 1959, chamado Rio Bravo na versão americana, e que recebeu o nome de Onde Começa o Inferno, em português.


O tenente-coronel Kirby Yorke, interpretado por John Wayne, é um homem bem-sucedido em sua carreira militar, que sempre priorizou seu trabalho e seus deveres patrióticos em detrimento de sua família. Quando os novos recrutas chegam ao regimento, Kirby descobre que um dos jovens soldados é ninguém menos que seu próprio filho, com quem nunca teve contato. Quinze anos atrás, quando Jeff era apenas um bebê, o coronel preferiu seguir as ordens de seus superiores e incendiou a propriedade da família de sua esposa Kathleen, vivida por Maureen O'Hara, que tinha apenas 29 anos na época. Desde então, o casal nunca mais se falou, até que a bela ruiva sulista decide ir atrás de seu filho, na intenção de faze-lo desistir do exército.


O grupo se encontra alojado perto da fronteira com o México, onde o exército americano deve combater os apaches e defender o povo local. Temendo pela segurança do filho, Kathleen tenta convencer seu marido a liberar o jovem para que ele possa continuar os estudos, porém o próprio Jeff deseja seguir carreira como oficial, a exemplo de seu pai. Após um ataque dos índios, quando as crianças que vivem no lugar são sequestradas, os soldados comandados por Kirky precisam armar um plano para resgata-las em segurança e o jovem rapaz é um dos escolhidos para a perigosa missão.


Apesar de ser um faroeste típico, com suas cenas de cavalaria muito bem executadas e o velho clichê da vilania dos índios que deve ser combatida pelo heroico exército americano, o filme foge um pouco do estilo clássico das grandes produções do gênero por ter uma história mais focada nas relações familiares do protagonista do que nos momentos realmente de ação, com trocas de tiros e aquelas demais características de todo western. A presença de Maureen O'Hara e sua enorme química com John Wayne são bastante exploradas pelo diretor, que voltaria a escala-los como casal em outros trabalhos. Outro fator que se destaca é a quantidade de músicas do longa, fato que chegou a ser criticado pelo estúdio na época, mas que foi justificado por sua autenticidade, já que os soldados de fato tinham o costume de cantar com frequência em suas horas de folga ou durante suas viagens.

Trilogia da Cavalaria



Rio Grande é o último filme da icônica Trilogia da Cavalaria, formada também por Sangue de Heróis (Fort Apache, 1948), com Henry Fonda e Shirley Temple, e Legião Invencível (She Wore a Yellow Ribbon, 1949), com Joanne Dru. Os três longas foram protagonizados por John Wayne, uma espécie de 'muso' do diretor.

John Ford e John Wayne


Longe de ser algum projeto elaborado, Rio Grande foi feito como uma imposição do estúdio para que o próximo filme de John Ford pudesse ser realizado. Tudo porque os chefões acreditavam que precisariam já de antemão arrumar dinheiro para minimizar o grande fracasso que estaria por vir, pois a intenção de Ford era fazer um longa sobre a Irlanda, com cenas faladas no idioma local, e que provavelmente não despertaria o interesse do público americano. Qual era esse filme? Simplesmente Depois do Vendaval (The Quiet Man, 1952). Com a insistência de John Ford para que a produção fosse levada adiante, os estúdios exigiram que fosse filmado um faroeste barato e protagonizado pelo casal Wayne e O'Hara, já que na época este gênero era sucesso garantido nas bilheterias, e a parceria do diretor com seu ator favorito era extremamente frutífera. Além dos longas já citados, clássicos como No Tempo das Diligências (Stagecoach, 1939), Rastros de ódio (The Searchers, 1956) e O Homem Que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance, 1962) estão dentre os mais de 20 filmes feitos pela dupla. 

John Wayne e Maureen O'Hara


Os amigos John Wayne e Maureen O'Hara fizeram juntos 5 filmes, todos como par romântico. Foram eles: Rio Grande (1950), Depois do Vendaval (The Quiet Man, 1952), Asas de Águia (The Wings of Eagles, 1957), Quando Um Homem é Um Homem (McLintock!, 1963), e Jake Grandão (Big Jake, 1971), dos quais apenas os dois últimos não foram dirigidos por John Ford.

Rio Grande acaba de ser lançado pela nossa parceira Classicline e pode ser adquirido tanto individualmente (clique aqui), quanto em um belo box com os demais filmes da Trilogia da Cavalaria (clique aqui). 

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