8 atrizes negras inspiradoras



Todos os dias, ao nos depararmos com casos de racismo, nos damos conta do quanto ainda temos que caminhar para ter uma sociedade justa e igualitária. Porém, antigamente a segregação racial era algo muito comum e que ocorria livremente, chegando a haver placas com avisos para os negros em estabelecimentos comerciais e transportes públicos, por exemplo.


Com tamanho absurdo ocorrendo nas ruas, no mundo artístico não seria diferente. No cinema, poucos atores e atrizes negros tinham destaque, conseguindo geralmente apenas papéis secundários, na maioria das vezes como criados. O post de hoje é uma homenagem à algumas das mulheres que conseguiram seu espaço, mesmo em uma época machista marcada pelo preconceito racial, e merecem mais reconhecimento por todo seu talento e trabalho.



Conhecida como a primeira artista negra a se tornar uma grande estrela, Josephine Baker chamava-se, na verdade, Freda Josephine McDonald. Nascida em 1906 nos Estados Unidos, naturalizou-se francesa em 1937. Começou a mostrar seus dotes artísticos ainda criança, dançando como artista de rua. Aos 15 anos foi descoberta, e atuou em alguns espetáculos da Broadway no início dos anos 20. Em 1925, estreou em Paris, no Théâtre des Champs-Élysées, fazendo um enorme sucesso com suas danças exóticas onde aparecia quase nua. Tornou-se a atração principal do Folies Bergère, onde chamava atenção por suas apresentações e pelos figurinos, como uma saia feita de bananas.


Durante a Segunda Guerra, Josephine trabalhou como espiã para ajudar na Resistência Francesa durante a ocupação, tendo sido condecorada com Cruz de Guerra das Forças Armadas Francesas e a Medalha da Resistência, recebendo do presidente Charles de Gaulle, o grau de Cavaleiro da Legião de Honra. Outra grande contribuição da atriz, foi o engajamento durante a década de 50 apoiando o Movimento dos Direitos Civis, de Martin Luther King. Ela trabalhou também na National Association for the Advancement of Colored People (NAACP). 

Durante a Marcha sobre Washington, em 1963, usando seu uniforme da Resistência, com suas condecorações. Via

Josephine Baker adotou 12 órfãos, cada um com uma etnia diferente, aos quais chamava de Tribo Arco-Íris. 


Sua filmografia inclui Porque Paris Fascina (1929), Zuzu (1934), Moulin Rouge (1940), dentre outros. Assista abaixo uma de suas apresentações, de 1927.




Nascida em 1895, Hattie McDaniel foi a primeira artista de origem africana a ser indicada e a receber o Oscar, tendo vencido na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante de 1940, pelo filme E o Vento Levou. Foi em 1910, ao receber a medalha de ouro por recitar um poema de sua autoria, chamado 'Convict Joe', no evento Women's Christian Temperance Movement, no qual foi a única participante negra, que Hattie percebeu sua paixão pelo mundo das artes. Durante algum tempo, seguiu a carreira de cantora, como vocalista de uma banda formada por seu pai e seus irmãos, viajando pelo país fazendo shows. Algumas músicas da banda eram compostas por ela. Tornou-se uma das primeiras cantoras negras a cantar no rádio, sendo convidada a gravar várias de suas composições. Trabalhando também no teatro, fazia sucesso em suas peças, até a quebra da bolsa, em 1929. Com a crise, o único emprego que conseguiu arranjar foi como atendente de banheiro no Club Madrid, uma boate frequentada apenas por pessoas brancas. Apesar de seu talento evidente, o dono do local não a deixava se apresentar por receio que os clientes se opusessem. Quando, finalmente, a deixaram cantar, o sucesso foi tanto que a transformou em uma das principais atrações do clube noturno.


Mudou-se para Los Angeles em 1931. Apesar de ter se tornado uma estrela do rádio, precisava trabalhar também como cozinheira e empregada doméstica para se sustentar, devido ao baixo salário que recebia. Nessa época, começou a conseguir papéis em diversos filmes, porém seu nome raramente era creditado. Como atriz, participou de mais de 300 filmes ao longo da carreira, mas seu nome apareceu nos créditos de apenas 80 deles, com a grande maioria de suas personagens tendo sido de empregadas domésticas. Certa vez, chegou a declarar: "Por que devo reclamar enquanto ganho 700 doláres por semana sendo uma empregada nas telas? Se não fosse uma nas telas, ganharia sete dólares por semana sendo uma de verdade." 


Dentre seus filmes mais famosos estão A Vênus Loira (1932), Santa Não Sou (1933), Mares da China (1935), A Mulher Que Soube Amar (1935), Saratoga (1937), Nada é Sagrado (1937), Dance Comigo (1938), Que Papai Não Saiba (1938), dentre outros. Seu papel mais célebre foi em E o Vento Levou (1939), filme pelo qual ganhou o Oscar de Atriz Coadjuvante em 1940. Na cerimônia do Oscar, foi impedida de sentar-se junto ao resto do elenco do filme, fato que revoltou seu amigo Clark Gable. Uma de suas únicas personagens principais foi no longa Juíz Priest (1934). Ao final dos anos 40, os trabalhos no cinema diminuíram, porém Hattie tornou-se a primeira grande estrela afro-americana do rádio com a série de comédia Beulah, que em 1952 tornou-se uma série de tv.


Casou-se quatro vezes e faleceu aos 57 anos. Seu último marido recebeu de herança um dólar.




Nascida no Mississippi dia 19 de outubro de 1914, Juanita Moore foi criada em Los Angeles, onde trabalhou como dançarina e corista, antes de começar a atuar no teatro. Sua estreia no cinema foi no filme O Que a Carne Herda (1949). Durante a década de 50, conseguiu papéis secundários em algumas produções e, em 1959, interpretou sua personagem de maior destaque, no longa Imitação da Vida, ao lado de Lana Turner. Sua atuação no filme lhe valeu uma indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. 


Continuou atuando no cinema e na televisão por várias décadas. Seu último filme foi Duas Vidas (2000), estrelado por Bruce Willis. Em 2010, Imitação da Vida foi exibido no Festival de Cinema do TCM ( Turner Classic Movies Film Festival), evento para o qual Juanita e a atriz Susan Kohner, que interpreta sua filha no longa, estiveram presentes e foram aclamadas ao subirem ao palco para uma sessão de perguntas e respostas.


A atriz foi casada por 50 anos com Charles Burris e faleceu em 2014 de causas naturais. 




Nascida dia 9 de novembro de 1922, Dorothy começou sua carreira ao lado da irmã Vivian, formando uma dupla chamada 'The Wonder Children'. Em 1934, com a entrada de uma nova integrante, a amiga Etta Jones, as meninas passaram ser conhecidas como 'Dandridge Sisters'. O trio obteve sucesso, fazendo show em casas noturnas e pequenos papéis no cinema. 


Após o fim do grupo em 1940, Dorothy continuou a se apresentar e a aparecer em filmes, ganhando pequenos papéis durante o restante da década. Em 1952, após ver uma de suas apresentações, um agente a recomendou para o chefe de produções da MGM, para o longa Bright Road (1953), seu primeiro papel de destaque, além de sua primeira parceria com Harry Belafonte. Sucesso de público e crítica, seu maior êxito no cinema foi com o filme Carmen Jones (1953), responsável por torna-la um símbolo sexual. Por seu desempenho, Dorothy foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz, sendo assim a primeira atriz negra a ser indicada ao Oscar na categoria principal. A atriz também foi a primeira afro-americana a ser capa da famosa revista Life, no ano de 1954.


Dorothy Dandridge casou-se duas vezes e teve uma filha, Harolyn Suzanne Nicholas, nascida em 1943, fruto de seu primeiro casamento. A criança nasceu com problemas mentais, tendo passado parte da vida em uma instituição especializada. Durante as filmagens de Carmen Jones, a atriz começou um caso com o diretor Otto Preminger, mantendo o relacionamento por quatro anos. Foi aconselhada por Preminger a aceitar apenas papéis de protagonista, recusando participar de alguns filmes importantes, como O Rei e Eu. Tempos depois, ela declarou arrepender-se de ter seguido o conselho.


Atuou em 34 filmes ao longo da carreira, dentre eles Terror no Mar (1958), Porgy & Bess (1959) e Málaga (1960). Em 1965, aos 42 anos, a atriz foi encontrada morta por seu empresário em circunstâncias misteriosas, tendo sido a causa oficial overdose acidental de anti-depressivos. Em 1999, foi feito para a televisão um filme retratando sua vida, com Halle Berry no papel principal.


Assista o filme (sem legendas):




Lena Mary Calhoun Horne nasceu no dia 30 de junho de 1917. Aos 17 anos, juntou-se ao coro do  Cotton Club, e durante a década de 30 trabalhou apresentando-se em cafés e fazendo shows, além de dois pequenos papéis no cinema. Em 1942, tornou-se a primeira artista negra a assinar um contrato de longa duração, ao ser contatada pela MGM. Sua estreia no estúdio foi no filme A Loirinha do Panamá (1942), estrelado por Red Skelton, Ann Sothern. Apareceu em alguns musicais, porém sempre em papéis secundários, devido ao fato de ser negra. Em Uma Cabana no Céu (1943), uma de suas cenas foi cortada, pois o número 'Ain't it the Truth' foi considerado muito ousado pela censura da época, porque a atriz aparecia tomando um banho de espuma. 


Apareceu no filme Ziegfeld Follies (1946) cantando 'Love'. Devido a proibição de relacionamentos inter-raciais, acabou perdendo o papel em O Barco das Ilusões (1951) para a amiga Ava Gardner.  Na década de 50, desiludida com Hollywood, focou-se em sua carreira de cantora, consolidando-se como um grande nome em suas apresentações em casas noturnas, nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa. Em 1957, seu álbum ao vivo intitulado 'Lena Horne at the Waldorf-Astoria', se tornou o disco mais vendido por uma artista feminina na história da gravadora RCA Victor. Em 1958, Horne tornou a primeira mulher afro-americana a ser nomeado para um Tony Award como Melhor Atriz em um Musical, por sua atuação como "Calypso" no musical Jamaica. 


Na década de 60, Lena teve inúmeras participações em programas de tv, além de estrelar seu próprio especial, chamado 'Monsanto Night Presents Lena Horne', em 1969. Em 1970, ela estrelou com Harry Belafonte o programa 'Harry & Lena' para ABC e em 1973, estrelou com Tony Bennett 'Tony e Lena'. Horne e Bennett em seguida, viajaram em turnê pelos EUA e Reino Unido fazendo shows juntos. Embora tenha anunciado sua aposentadoria em 1980, continuou ativa até os anos 2000. Lena sempre esteve engajada na luta pelos direitos civis, sendo condecorada em 1983 com a Medalha Spingarn da NAACP. Durante a Segunda Guerra, ao ser convidada para cantar para entreter as tropas, ela recusou-se a compactuar com a segregação racial, descendo do palco e indo cantar na parte de trás, onde os soldados negros foram obrigados a ficar. Ela também participou da Marcha Sobre Washington, em 1963, disursando em nome da NAACP, SNCC, e do Conselho Nacional das Mulheres Negras. Ela também trabalhou com Eleanor Roosevelt para a aprovação da lei anti-linchamento. Lena casou-se 2 vezes e teve 2 filhos. A atriz e cantora morreu em 2010.




Eartha Mae Keith nasceu no dia 17 de janeiro de 1927. Começou sua carreira como membro da Katherine Dunham Company, integrando a companhia de 1943 até 1948. Com sua voz inconfundível gravou as músicas "Let's Do It ", "Champagne Taste", "C'est si bon", "Just an Old Fashioned Girl", "Monotonous", "Je cherche un homme", "Love for Sale", "I'd Rather Be Burned as a Witch", "Katibim", "Mink, Schmink", "Under the Bridges of Paris" e seu hit mais conhecido, "Santa Baby", em 1953. Tornou-se fluente em francês devido ao período que passou na Europa. Ao todo falava quatro línguas, e cantou em sete.


Em 1950, obteve seu primeiro papel, na peça de Orson Welles 'Dr Faustus', interpretando Helena de Tróia. O ator e diretor chegou a declarar certa vez que Eartha era a mulher mais excitante do mundo. Apesar dos boatos, ela sempre negou ter tido qualquer ligação romântica com Welles. Também esteve presente no musical da Broadway  'New Faces of 1952', e no filme New Faces (1954). Ainda nesta década, atuou em filmes como A Marca do Gavião (1957), Lamento Negro (1958) e Anna Lucasta (1958). Durante as décadas de 50 e 60, ela trabalhou no cinema, na televisão, gravou discos e fez shows em casas noturnas, além de ter atuado em peças na Broadway. No final dos anos 60, foi escalada para o papel de Mulher-Gato na série de tv Batman, substituindo a atriz Julie Newmar.


Após uma enorme polêmica sobre as declarações de Eartha em 1968, criticando a Guerra do Vietnã, sua carreira nos EUA ficou fortemente abalada, fazendo com que ela se focasse em suas apresentações na Europa e na Ásia. Em 1978, ela teve uma volta triunfal, apresentando-se na Broadway com a peça Timbuktu!, pela qual foi indicada ao Tony de Melhor Atriz de um Musical. Nos anos seguintes, continuou ativa gravando discos, fazendo shows, e atuando no teatro, na tv e no cinema. Em 2007, foi porta-voz da MAC Cosmetics, regravando a canção 'Smoke Gets In Your Eyes'.


Apesar dos romances com o magnata Charles Revson e com o herdeiro John Barry Ryan III, casou-se apenas uma vez, com John William McDonald, com quem teve uma filha, chamada Kitt McDonald. Divorciou-se em 1965.


Eartha Kitt também era engajada em diversas causas sociais, principalmente durante as décadas de 50 e 60. Em 1966, criou a Kittsville Youth Foundation, uma organização sem fins lucrativos para jovens carentes. Deu apoio a um grupo de jovens que denominavam-se 'Rebeldes Com Uma Causa', que reabilitavam e educavam jovens com o objetivo de diminuir a delinquência juvenil. Foi membro da Liga das Mulheres pela Paz e pela Liberdade, além de defender publicamente os direitos LGBT, dando seu apoio a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Eartha morreu em 2008, em decorrência de um câncer. 




Pamela Suzette Grier nasceu em 26 de maio de 1949, descendente de afro-americanos, hispânicos, chineses, filipinos e índios da Tribo Cheyenne. Aos 6 anos, foi estuprada por dois rapazes ao ser deixada sem vigilância na casa de sua tia. Mudou-se frequentemente durante a infância e adolescência por conta da carreira militar do pai, até a família se estabelecer em Denver, onde começou a participar de produções teatrais. Em 1967, foi para Los Angeles, onde foi descoberta e ganhou seu primeiro papel de destaque no filme As Condenadas da Prisão do Inferno (1971). Em seguida atuou em The Big Bird Cage(1972), também do diretor Jack Colina. Durante a década de 70, fez sucesso em filmes do gênero Blaxploitation, tais como Coffy (1973), Foxy Brown (1974), Sheba, Baby (1975) e Friday Foster (1975). 


Com os filmes de blaxploitation desaparecendo, no final da década de 70 seus papéis começaram a ficar menores, voltando a crescer na década seguinte, com filmes como Inferno no Bronx (1981), No Templo das Tentações (1983) e Nico - Acima da Lei (1988), além de participações em séries de tv. Em 1997, foi a personagem título do longa de Quentin Tarantino, Jackie Brown, que prestava uma homenagem aos seus filmes dos anos 70. Por seu desempenho, foi indicada a vários prêmios. 


Continua atuando em filmes e séries, como Larry Crowne: O Amor Está de Volta (2011) e Smallville. Em 2010, escreveu um livro de memórias, chamado Foxy: My Life in Three Acts , com Andrea Cagan. 




Caryn Elaine Johnson nasceu em 13 de novembro de 1955. Antes de se tornar atriz, começou trabalhando como atendente de ligações eróticas, e durante os anos de 1979 até 1981 viveu na Alemanha Oriental, onde participava de produções teatrais. Apareceu pela primeira vez na tela com o filme Citizen: I'm Not Losing My Mind, I'm Giving It Away (1982). De 1984 até 1985 fez sucesso na Broadway, tendo sua peça gravada e transmitida pela HBO, num programa chamado Whoopi Goldberg: Direct from Broadway (1985). Seu desempenho chamou a atenção do diretor Steven Spielberg, que lhe ofereceu o papel principal em A Cor Púrpura (1985). O filme foi indicado a 11 Oscars, incluindo Melhor Atriz.


Em 1986, estrelou a comédia Salve-me Quem Puder, que fez um enorme sucesso. Em seguida, apareceu em outros longas do mesmo gênero, como A Ladrona (1987), Beleza Fatal/ Mercadores da Morte (1987) e O Telefone (1988). Também protagonizou o filme Clara (1988), que foi aclamado pela crítica. Em 1990, atuou no filme Ghost, ganhando o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por seu desempenho, sendo o segundo Oscar entregue a uma mulher negra, com um intervalo de 50 anos. 


Nos anos 90, Whoopi participou de diversos filmes, tais como Star Trek , no mesmo papel que já havia feito na série Star Trek: The Next Generation, em 1987, Mudança de Hábito (1992), Mudança de Hábito 2 (1993), Corina, Uma Babá Perfeita (1994), O Rei Leão (1994), como dubladora, Bogus (1996), O Sócio (1996) e Garota, Interrompida (1999). Continua em atividade, participando de filmes e séries, além de participar do programa The View desde 2007. Em 2010, juntou-se a Cyndi Lauper e outros artistas, em uma campanha em prol dos direitos LGBT. Whoppi casou-se três vezes e tem uma filha, Alex Martin. A atriz também teve relacionamentos amorosos com Frank Langella e Ted Danson.

Assista A Cor Púrpura (dublado):



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